Agência Folha
De São Paulo
Quem gosta de carnaval tem 14 motivos para cair no samba desde já, apesar de ainda faltar quase um mês para a festa: todas as 14 escolas de samba paulistanas do grupo Especial estão fazendo ensaios abertos. Os ingressos custam entre R$ 1 a R$ 5 (alguns ensaios têm entrada franca) e as escolas estão distribuídas por toda a cidade. É só escolher a sua.
A Vai-Vai, uma das campeãs de 99, realiza ensaios aos domingos ao som do samba enredo inspirado na 3ª República. Este ano, em razão dos 500 anos do descobrimento, a história do Brasil foi dividida em 14 períodos, que serviram de tema para cada escola.
A campeã paulistana ficou com o filé mignon – os anos 1984 a 2000 – porque pôde escolher seu tema (assim como a Gaviões da Fiel, a outra campeã), ao contrário das demais escolas, que participaram de um sorteio. E algumas delas vão ter de ser muito criativas para tornar carnavalescos assuntos como o ciclo do café ou a era Vargas.
Nos ensaios da Vai-Vai, além de sambar e beber, o público conhece as fantasias da escola e pode comprar um lugar na ala que preferir (as fantasias custam entre R$ 150 e R$ 300, segundo o presidente da escola, Solon Tadeu Pereira). Para tanto, basta procurar o chefe de ala no ensaio. Na sede da outra escola campeã do ano passado, a Gaviões da Fiel, os ensaios acontecem às terças, sextas e domingos. Às sextas, a quadra, no bairro do Bom Retiro, fica completamente lotada.
A Gaviões escolheu como tema para o seu samba-enredo a época de 1770 a 1808. ‘‘Um Vôo para a Liberdade’’ vai falar do período que envolve a Inconfidência Mineira e a Abertura dos Portos. A escola vai levar 4.500 integrantes e seis carros alegóricos para o Sambódromo. A Tom Maior – que este ano voltou a subir para o grupo Especial por ter vencido o grupo 1 em 99 –, apesar de não ter tido o direito de escolher o tema do seu samba, até que levou sorte. A escola será a primeira a desfilar na primeira noite do grupo Especial, e com ‘‘A Exploração Portuguesa’’ vai tentar traduzir em samba os principais, ou melhor, os mais pitorescos acontecimentos que ocorreram na Terra de Santa Cruz entre 1500 e 1520.
Mas para quem espera obviedades, Marko Antonio da Silva, 33, presidente da escola, diz que ‘‘Brasil...Amor à Primeira Vista!’’ vai surpreender. ‘‘Todos imaginam que vai ser só caravelas e índios. Vamos mostrar toda a mitologia dos mares’’, diz.
Com 51 anos de avenida, a Nenê da Vila Matilde remonta à década de 30 para pinçar a era getulista. ‘‘Por Que Me Orgulho de Ser Brasileiro - A Era Getúlio Vargas’’ é o nome do samba-enredo da dupla Baby Santaninha e Gordinho. ‘‘Com certeza, já é considerado um dos melhores enredos’’, arrisca o carnavalesco Augusto Oliveira, 42, ex-X-9 Paulistana. Ele estima reunir 4.000 foliões na passarela. Entre as 23 alas, estão as tradicionais (baiana, bateria) e as temáticas (‘‘O Petróleo É Nosso’’,
‘‘Trabalhador e Trabalhismo’’ etc). Em sua trajetória, a Nenê já conquistou 10 títulos - o último em 85. Também baseada na zona leste da cidade, a Leandro de Itaquera vai defender o samba-enredo ‘‘Vale Ouro, Brasil, Minha Terra Meu Tesouro’’, composto por Marco Aurélio. A puxadora é a sambista Eliana de Lima. O fundador e presidente da escola, Leandro Martins, 49, joga os braços para o acaso com a certeza da conquista do campeonato de 2000. ‘‘A gente completa 18 anos, a maioridade, justamente no dia do desfile principal, em 3 de março’’, afirma Martins. A Leandro deve levar cerca de 3.000 pessoas para a avenida, distribuídas em 30 alas e seis carros alegóricos.

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