Escolas particulares de SP aderiram aos parâmetros
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terça-feira, 14 de setembro de 1999
Por Gabriela Athias 
São Paulo, 15 (AE) - O presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (Sieeesp), José Augusto de Matos Lourenço, diz que as escolas privadas saíram na frente em relação aos Parâmetros Nacionais do Ensino Médio, lançados hoje em Brasília. "As escolas privadas estão investindo cada vez mais na capacitação dos seus professores", diz. Segundo ele, a maioria dessas escolas começou trabalhar de acordo com as novas orientações desde o lançamento das diretrizes curriculares, no ano passado. "Acompanhamos a discussão sobre as mudanças desde o início", diz.
Matos Lourenço, assim como outros representantes sindicais e secretários de Estado, lembra que o sucesso da reforma depende de recursos para a capacitação do corpo docente. Isso porque a principal mudança sugerida pelo Ministério da Educação (MEC) está no enfoque dado às disciplinas.
"Não se faz reforma por decreto; a mudança ocorrerá nas salas de aula", diz Alcyone Saliba, secretária da Educação do Paraná, onde a reforma começou a ser efetivada. Rosângela Salette, da secretaria da Educação do Rio Grande do Sul, diz que não existe reforma se os Estados não tiverem recursos para a expansão do ensino médio: "Ainda tem muita gente sem vaga", resume.
Com os parâmetros, explica Alcyone, o conteúdo propriamente dito das disciplinas perde importância. Passa a ser prioridade a discussão feita entre professores e alunos a partir dessas informações. "As matérias passam a ser apenas um meio para adquirir competências e habilidades", explica.
Além disso, as disciplinas tornam-se interligadas. Por exemplo: cidadania, ética e meio ambiente - temas transversais - passam a ser discutidos no âmbito de todas as matérias, incluindo física, química e matemática, e não apenas em história
língua portuguesa ou ciências. Lourenço diz que essa mudança de enfoque já começa a ser incorporada em alguns livros didáticos.
Outra aspecto que muda com a reforma é o aumento da autonomia das escolas. Isso porque 75% do currículo faz parte da chamada base nacional e 25% pode ser definido pela própria escola. No Paraná, por exemplo, a vocação econômica regional norteia o seu projeto pedagógico. Colégios localizados em regiões com vocação para agroindústria estão investindo nessa área, já os da área urbana priorizam tecnologia.
"Transição" - Para os especialistas, o ensino médio está passando por uma fase de "transição". De um lado, o MEC exige habilidades e competências. Isso fica claro no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). De outro lado, o vestibular, que influencia os cursos médios, ainda não sofreu alterações significativas: continua exigindo mais memorização do que raciocínio.
A vice-presidente pedagógica do Grupo, associação que reúne 46 escolas privadas de São Paulo, Cinira Estocco, diz que a tendência das universidades é alterar o formato do vestibular. Essa também é a opinião de Matos Lourenço e de vários secretários de Estado. Mas, por enquanto, diz Cinira, as escolas terão de fazer as duas coisas: estimular habilidades e preparar para o vestibular.


