Escolas municipais têm médias inferiores que as estaduais
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quarta-feira, 05 de julho de 2006
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Escolas municipais do Paraná tiveram médias piores do que as estaduais na Prova Brasil, aplicada pelo Ministério da Educação para avaliar o rendimento escolar nas escolas públicas brasileiras. O teste foi realizado no ano passado, em 5.398 municípios de todas as unidades da Federação, e avaliou mais de 3 milhões de alunos de 4 e 8 séries do Ensino Fundamental, através de provas de Língua Portuguesa e Matemática.
Na prova de Língua Portuguesa, a média nas escolas estaduais paranaenses foi de 189,79, e nas municipais, 180,00, entre os alunos de 4 série. Já entre os estudantes de 8 série, as escolas estaduais obtiveram média 227,15, e as instituições municipais, 225,05.
Na prova de Matemática, o fenômeno se repetiu. No teste aplicado aos alunos de 4 série, a média nas escolas estaduais do Paraná foi de 199,21; nas municipais, 191,03. Entre os estudantes de 8 série, os alunos de escolas estaduais alcançaram média 247,50, contra 244,88 nas municipais. Nas duas provas, as médias das escolas paranaenses foram superiores à média nacional.
O diretor de educação da Associação dos Municípios do Paraná (AMP) e prefeito de Apucarana, Valter Pegorer (PMDB), afirmou que na maioria das cidades paranaenses a educação de 1 a 4 série é prioridade dos municípios, e a de 5 a 8, do Estado, segundo diretrizes educacionais.
''O bom desempenho dos estudantes de instituições estaduais de 5 a 8 indica, portanto, que há uma base sólida nas escolas de 1 a 4. Mas, se entre as escolas onde são ofertadas as mesmas séries o desempenho das instituições estaduais foi melhor, isso indica que os municípios devem rever a sua forma de atuar na área de educação. Deve ser priorizado o ensino em tempo integral'', disse Pegorer.
Maria Rosa Chaves Kunzle, assessora pedagógica do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Paraná (APP-Sindicato), comentou que os resultados da Prova Brasil devem ser encarados com cautela. ''Esses grandes provões que foram instituídos no governo FHC e que continuam sendo aplicados são questionáveis. Parece que foram criados para o governo conseguir financiamento internacional. Acho que não refletem o que está realmente acontecendo. Pela prova, não dá para dizer que as escolas estaduais são melhores que as municipais'', disse.
A assessora afirma que, independentemente dos resultados das avaliações da educação brasileira, as escolas públicas necessitam de mais investimentos. ''Há uma demanda histórica. Entendemos que o Brasil teria que investir 10% do PIB em educação para tirar o atraso. Mas o País não aplica nem os 7% recomendados por organismos internacionais'', criticou.


