Rio, 08 (AE) - Hoje foi o primeiro dia de aulas nos 1.955 colégios estaduais do Rio. Para os alunos do ensino médio (antigo 2º grau), porém, o retorno refere-se ao período letivo passado. Segundo o Sindicato Estadual dos Profissionais do Ensino (Sepe), os estudantes não tiveram aulas de recuperação em 1998 por falta de professores - há defasagem de 11 mil profissionais - e ainda terão de fazer as provas finais. A greve que paralisou as atividades escolares por 43 dias entre abril e maio do ano passado também contribuiu para atrasar o cronograma.
"Pressionamos o ex-governador Marcello Alencar e ele acabou realizando concurso no final do ano passado, mas mesmo que os 7,3 mil professores aprovados assumissem seus cargos agora, o número seria insuficiente para suprir a necessidade das escolas", afirmou a coordenadora geral do Sepe, Gesa Linhares Correa. O Secretário Estadual de Educação, Hésio Cordeiro, autorizou a volta do Regime Especial de Trabalho, em que os professores fazem hora extra, para tentar sanar a falta de profissionais. Atualmente, 79 mil professores têm matrícula na rede estadual, dos quais 52,6 mil estão alocados em escolas - o restante foi cedido para outros órgãos. Entre 1995 e 1997, cerca de 15 professores abandonaram seus postos a cada dia, segundo o Sepe. "Essa situação ocorre por causa do baixo salário; o piso da categoria não chega a R$ 400,00", afirma Gesa, que tem audiência marcada para quarta-feira com o secretário estadual de Educação. Matrículas - O atraso no calendário escolar atrapalhou também o processo de matrículas, já que os alunos ainda não sabem se foram aprovados na série que estão cursando. A Secretaria de Educação informou que as inscrições devem seguir até o fim da semana - até agora, 1,2 milhão de estudantes estão matriculados.
O caos na educação acaba se refletindo no vestibular: apenas 27% dos candidatos aprovados no concurso da Universidade Federal do Rio de Janeiro saíram de escolas estaduais.

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