Escolas e colegas são hostis a homossexuais
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 04 de outubro de 2010
Isabela Vieira<BR>Agência Brasil 
Rio - As escolas brasileiras são hostis aos homossexuais e o tema da sexualidade continua sendo pouco discutido nas salas de aula. Essas são as principais constatações da pesquisa Homofobia nas Escolas, realizada em 11 capitais brasileiras pela organização não governamental Reprolatina, com apoio do Ministério da Educação.
A homofobia é negada pelo discurso de que não existe estudantes LGBT [lésbicas, gays, bissexuais e travestis] na escola. Mas quando a gente ia conversar com os estudantes, a percepção, em relação aos colegas LGBT, era outra, contou uma das pesquisadoras, Magda Chinaglia.
Os dados completos, com informações sobre a visita a 44 escolas de todas as regiões do país e trechos de 236 entrevistas feitas com professores, coordenadores de ensino, alunos do 6º ao 9º ano, além de funcionários da rede, devem ser divulgados até o final do ano.
De acordo com a pesquisa, os homossexuais são bastante reprimidos no ambiente escolar, onde qualquer comportamento diferenciado interfere nas normas disciplinares da escola. Ouvimos muito que as pessoas não se dão ao respeito. Então, os LGBT têm que se conter, não podem [se mostrar], é melhor não se mostrarem para serem respeitados, contou.
No caso dos travestis, a situação é mais grave. Nenhuma escola autorizava o uso do nome social (feminino) e tampouco o uso do banheiro de mulheres. Os travestis não estão nas escolas. A escola exige uniforme, não deixa os meninos usarem maquiagem. Os casos de evasão [escolar] são por causa dessas regras rígidas, explicou Magda.
De acordo com a vice-presidente do Conselho Estadual dos Direitos da População LGBT, Marjorie Marchi, a exclusão educacional leva os travestis à prostituição. Aquele quadro do travesti exposto ali na esquina é o resultado da falta da escola. Da exclusão, disse.


