Brasília, 24 (AE) - Nos últimos três anos, 130 escolas católicas de ensino fundamental e médio fecharam as portas, segundo pesquisa divulgada hoje pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Nesse período, as escolas mantidas pela Igreja perderam 300 mil alunos. O empobrecimento da população e a melhoria do ensino público são os principais motivos da crise nas escolas católicas apontados pelo presidente da Associação Nacional das Mantenedoras de Escolas Católicas (Anamec) e reitor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Clemente Juliatto.
Outra diretora da Anamec, a irmã Rachel Mello Mattos de Castro, relatou que muitas famílias retiram os filhos das escolas católicas chorando, mas forçadas pela situação econômica. Ela conta ter ouvido pais lamentando que gostariam de dar ao filho um ensino católico, mas o chefe da família perdeu o emprego ou está trabalhando para uma firma que está indo mal. Causas - A pesquisa sobre "Obras sociais da Igreja e a atuação de suas escolas" foi desenvolvida pela Anamec e pelo Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (Ceris). Um dos responsáveis pelo trabalho, Juliatto explicou que as causas do fechamento das escolas católicas ainda não são totalmente conhecidas. Por isso, considera prematuro incluir os efeitos da nova Lei das Filantrópicas entre os motivos da crise, apesar de estar convencido de que este é outro fator das dificuldades das instituições.
Ele lembra o caso da Irmandade Santa Casa de Misericórdia, no Paraná, que correu o risco de suspender o atendimento depois da nova lei. A irmã Rachel reclama que as escolas católicas, mesmo sérias, e santas casas tenham sido taxadas de desonestas, no ano passado, após a revisão da Lei das Filantrópicas para limitar a isenção da cota patronal para a Previdência. O governo decidiu cortar o incentivo por identificar uma lista de "pilantrópicas" como ficaram conhecidas entidades que mesmo auferindo lucros se beneficiavam da lei. Assistência - A irmã não considera justo o tratamento dado às instituições católicas e lembra que a Igreja cobra mensalidades nas escolas mas também oferece trabalho gratuito de assistência à população. A pesquisa divulgada hoje mostra que em 1998, a Igreja atendeu 6,9 milhões de pessoas, na área da Saúde e 3,9 milhões, em Educação. Também distribuiu 1,7 milhão de remédios, além de prestar assistência social a outras 12,1 milhões de pessoas.

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