Escolas brasileiras têm mais mulheres
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quinta-feira, 06 de novembro de 2003
Demétrio Weber<br> Agência Estado 
Brasília - Há mais meninos que meninas nas salas de aula brasileiras de 1 a 4 série. Mas, daí em diante, a situação se inverte e as mulheres passam a ser maioria até na universidade. Disparidades de gênero na vida escolar são o foco de um relatório que será lançado mundialmente hoje pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). A entidade tem como meta a correção do problema nas turmas de educação básica até 2005 e, nos demais níveis de ensino, até 2015.
Entre os motivos para a redução do número de meninos na escola estão a repetência e o abandono dos estudos para trabalhar. A situação é semelhante na maioria dos países da América Latina, pelo menos a partir do ensino médio.
''Estas disparidades estão ligadas à baixa performance de meninos, que têm maiores taxas de repetência e maior probabilidade de abandonar a escola geralmente para se sustentar'', diz o relatório ''Gênero e Educação para Todos O Salto Rumo à Igualdade''. Em países como Índia e Paquistão e em boa parte da África, a luta é inversa, no sentido de permitir que um contingente maior de mulheres tenha acesso à escola. Em termos mundiais, quase dois terços dos 850 milhões de adultos analfabetos são mulheres, segundo a Unesco.
No ano passado, 52% das matrículas de 1 a 4 série no Brasil foram feitas por alunos do sexo masculino uma diferença de 876 mil meninos a mais do que as meninas. Da 5à 8 série, no entanto, o total de alunas já superava o de alunos em 143 mil; no ensino médio, essa diferença pró-meninas alcançava 725 mil; e, nos cursos de graduação, 452 mil.
De acordo com Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a escolaridade das brasileiras é superior à dos homens. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2001 mostrou que 20% das mulheres tinham 11 ou mais anos de estudo. Entre os homens, essa proporção era menor, de apenas 17%.
O relatório da Unesco enfatiza, porém, que a maior presença das mulheres nos bancos escolares não resulta necessariamente num domínio feminino da cena política e econômica.
''A paridade de gênero nem sempre se traduz em maior igualdade. Na América Latina e no Caribe, como em todos os lugares, as meninas ainda não estão aptas a transformar a superioridade acadêmica em relação aos meninos em maior igualdade nas outras esferas da vida'', diz o texto. ''O baixo desempenho de meninos ainda não fez com que eles ficassem para trás economicamente e politicamente, e as mulheres podem precisar de maiores qualificações para obter sucesso na competição por empregos, salários iguais e posições gerenciais.''
As metas para correção das disparidades de gênero foram fixadas no Fórum Mundial de Educação, realizado no ano 2000, no Senegal. Entre as recomendações da Unesco, nesse sentido, estão o combate à pobreza e ao trabalho infantil. ''A desigualdade na educação é causada por forças sociais mais profundas, que vão muito além dos limites dos sistemas educacionais, das instituições e dos processos'', escreveu o diretor-geral da Unesco, Kochiro Matsuura, no prefácio ao relatório.


