Londrina - O Insituto de Pesquisa Econômica Aplicada divulgou ontem um estudo sobre Coabitação Familiar e Formação de Novos Domicílios para identificar os motivos que levam as pessoas a permanecerem morando na casa dos pais. Entre as causas detectadas foi constatado que quanto mais elevada é a educação do jovem, maior é a probabilidade de continuar morando com os pais, o que reforça a evidência de que o apoio familiar influencia na formação educacional.
É o caso da estudante de psicologia Natália Thaísa Lemos, de 22 anos. Ela destaca que o apoio do pai é fundamental para a evolução da formação educacional dela, uma vez que é responsável pelo pagamento das mensalidades da faculdade e pelo sustento dela, uma vez que a jovem não possui uma fonte de renda.
''Hoje em dia é complicado estudar e trabalhar, pois é muito difícil fazer as duas coisas bem e muitos acabam não dando conta de fazer nem uma coisa nem outra'', argumentou.
Natália observa que a maioria dos jovens que moram sozinhos geralmente muda de cidade para estudar. ''A independência chega geralmente quando essa pessoa começa a trabalhar, mas eu particularmente não tenho planejamento para morar sozinha e nem tenho motivos específicos para fazer isso'', pontuou.
A pesquisa identificou que a principal demanda do jovem brasileiro que estuda e trabalha para conquistar a independência está relacionada à obtenção de moradias a preços acessíveis. O estudo apontou a necessidade de políticas habitacionais diversificadas para cobrir a demanda nas diversas faixas etárias de um público distribuído entre estudantes, trabalhadores, estagiários, casados ou solteiros.
Além das ofertas de habitação a preços mas acessíveis, o Ipea destaca que jovem brasileiro depende também da oferta de trabalho, do estado civil e do gênero para conquistar a independência. O trabalho foi baseado em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2009 e leva em conta tendências em comum identificadas em outros países. Os números revelam que o deficit habitacional de 2,2 milhões de domicílios (87% deles nas áreas urbanas) é um dos fatores que explicam a existência de coabitação familiar, bem como o peso do custeio do aluguel para o jovem tanto nas regiões urbanas quanto nas metropolitanas.
A pesquisa identificou que os que estão empregados possuem mais propensão a deixar a casa dos pais, mas há outros fatores que levam o jovem sair de casa mais tarde, como a falta de recursos financeiros, apontado por 54,8% das pessoas entrevistadas pela Pnad, e essa situação era crescente até a faixa dos 35 anos, principalmente nas áreas urbanas. Quando o levantamento foi realizado havia 34 milhões de jovens entre 18 e 29 anos residindo com parentes.
A Pnad identificou que 62,2% dos chefes de famílias secundárias (que vivem em casa dos pais ou nos ''puxadinhos'') manifestaram em 2009 o desejo de mudar e formar domicílio independente, especialmente nas áreas urbanas. Essa tendência era maior na faixa de 21 a 30 anos.(Com Agências)

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