Escolaridade é baixa
Brasília, 31 (AE) - Apesar dos esforços feitos pelo governo e das exigências de aperfeiçoamento educacional decorrentes do próprio mercado de trabalho, o quadro de escolaridade do brasileiro ainda é deprimente. Conforme dados levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE), dos 74 milhões de integrantes da População Economicamente Ativa do País (PEA), 47 milhões de trabalhadores ainda estão abaixo do primeiro grau completo. O secretário de Formação e Desenvolvimento Profissional do Ministério do Trabalho, Nassim Gabriel Mehedff, diz, no entanto, que esse cenário já foi pior. A escolaridade média da PEA ocupada, conforme ele, aumentou nos últimos 10 anos, de três anos e meio para sete anos de estudo.
Mesmo no setor formal da economia - dos trabalhadores com carteira assinada - a situação não é melhor. Dados do Ministério do Trabalho, tendo como base a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), indicam que de um universo de 35 milhões de trabalhadores, 15% deles não tem instrução ou tem até a terceria série do primeiro grau; 33% têm entre a quarta e sétima série do primeiro grau; 23% têm primeiro grau completo e 29% têm segundo grau completo ou mais, sendo apenas 10% deles com curso superior. Mehedff observa que no meio rural a situação é mais grave. "A escolaridade no meio rural é inferior a quatro anos de escola", informa.
Dados do IBGE também são trágicos com relação à população infanto-juvenil brasileira: crianças e adolescentes na faixa entre 10 a 19 anos somam um contingente de 33,4 milhões de pessoas, das quais 2,8 milhões são anafabetas. Entre as principais razões desse elevado índice de analfabetismo está a baixa renda das famílias, que leva as crianças a ingressarem precocemente no mercado de trabalho, comprometendo a sua escolarização. Segundo dados do IBGE, crianças e adolescentes na faixa de 10 a 19 anos representam cerca de 12% da PEA.
Nassim Mehedff acredita, no entanto, que a inovação tecnológica e a inserção competitiva do País na economia mundial vão contribuir para acelerar as mudanças na profissionalização dos trabalhadores. Os empresários, segundo ele, estão começando a despertar para isso. "A maioria das atividades exige algum conhecimento de informática. E, para isso, é preciso ter o primeiro e o segundo graus completos", salienta.
A nova demanda do mercado, na opinião do secretário do Ministério do Trabalho, também levará o País a romper com o modelo paternalista do emprego, partindo para um sistema mais dinâmico e flexível. "Um exemplo é a mudança verificada no trabalho informal, que era a "excrecência" do trabalho produtivo", afirma. Segundo ele, a cadeia produtiva está cada vez mais se valendo desse tipo de trabalho para reduzir seus custos. Em função disso, assegura que a legislação trabalhista acabará sendo mudada, queiram os sindicatos de trabalhadores ou não. Enquanto isso não acontece, ele diz que o papel da sua secretaria é qualificar as pessoas para que elas se engajem nas novas formas de trabalho que estão surgindo.





