As escolas de ensino médio que não melhorarem a qualidade da formação básica e não oferecerem uma educação profissional adequada às exigências do mercado tendem a desaparecer. O alerta foi feito ontem pelo secretário de Educação Média e Tecnológica do Ministério da Educação e Cultura (MEC), Ruy Berger Filho, a cerca de 230 diretores de escolas particulares e sindicatos de todo o Brasil, no Encontro Opet de Educação Profissional, em Curitiba.
O encontro foi uma das primeiras oportunidades que os diretores tiveram para discutir a implantação dos cursos técnicos com a educação básica no ensino médio. ‘‘O ensino básico será sempre o mesmo para todos e o profissionalizante tem que ser complementar’’, disse Berger. Ele fez um apelo para que as escolas se adaptem com rapidez para não correr o risco de perder alunos.
Com a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação, aprovada no final de 96, terminou o antigo segundo grau profissionalizante, em que os alunos matriculavam-se para cursar o ensino básico e eram obrigados a receber orientações de profissões não desejadas ou para as quais não havia mercado. ‘‘Agora todo ensino técnico que for oferecido tem que ser no novo modelo’’, afirmou Berger.
O novo modelo vai exigir mais dos diretores das escolas, que precisarão descobrir quais as exigências do mercado e, a partir daí, estruturar o ensino técnico. Para isso poderão manter uma estrutura dentro da própria escola ou buscar parcerias com a iniciativa privada. ‘‘O ensino profissionalizante tem que garantir vínculos com o mercado de trabalho’’, disse o secretário do MEC. Esse ensino passa a ser uma opção do aluno, que poderá praticá-lo em horário flexibilizado.
Ao sair da escola, o estudante recebe o diploma de conclusão do ensino básico e o certificado de técnico na área escolhida e para a qual tenha sido devidamente preparado. ‘‘Ainda há muito desconhecimento sobre o novo modelo, principalmente sobre a importância do vínculo com empresas’’, disse Berger.
Em Curitiba, uma das escolas que já trabalham nesse sistema é Organização Paranaense de Ensino Técnico (Opet). ‘‘Este é um momento de transição, em que há necessidade de mudar o perfil do professor’’, disse o gerente comercial da Editora Opet. A entidade oferece ensino profissionalizante em gestão de empresas, publicidade e propaganda e informática. Atualmente, 1.500 alunos estão na área do ensino médio técnico.

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