Escola também é lugar para educação alimentar
PUBLICAÇÃO
domingo, 19 de março de 2006
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Como convencer crianças de que a ingestão de legumes, frutas e verduras, além de saboroso, faz bem à saúde? Para a nutricionista Eliane Keily Silva Garcia, de Londrina, a tarefa pode ficar mais fácil se a criança aprender na escola sobre a importância de uma alimentação saudável. Fato que ainda pode ajudar a reduzir a incidência de obesidade infantil, problema de saúde pública no país e no mundo.
A tese que a nutricionista defende é simples: com informação, as crianças podem fazer escolhas mais saudáveis, inclusive questionando os pais e fazendo com que eles procurem a escola em busca de mais informações. Para isso, ela montou um projeto de educação alimentar para crianças de 1ªà 4ªsérie do ensino fundamental. Nessa faixa dos seis aos onze anos ainda se consegue mudar hábitos, argumenta.
O objetivo é ensinar as crianças, na escola, sobre as propriedades nutricionais dos alimentos, quais os grupos alimentares (proteínas, carboidratos, gorduras, legumes, verduras e frutas), qual a necessidade que o corpo tem de cada um desses nutrientes e que doenças a falta deles pode ocasionar. Tudo isso de forma lúdica, através de jogos, filmes e palestras educativas.
No ano passado, o projeto funcionou por três meses, em caráter voluntário, em dois colégios de Londrina, nas escolas municipais Professora Áurea Alvim Toffoli e Carlos Dietz. Nas duas, a nutricionista fez uma pesquisa de avaliação nutricional dos alunos, que veio confirmar estatística nacional que aponta que quase 20% das crianças tem sobrepeso ou já desenvolveram obesidade.
Na Escola Áurea Alvim Toffoli, 10,55% dos alunos de 1ªa 4ªsérie apresentaram sobrepeso, e 6% obesidade. Já na Escola Municipal Carlos Dietz, das 377 crianças avaliadas, 9% tinham sobrepeso, e 9% obesidade. A nutricionista lembra que uma criança obesa na chamada primeira infância (até sete anos) tem 80% de chance de ser um adulto obeso.
Outro fator de risco para a obesidade, diagnosticado por Eliane, foi o lanche escolar, em sua maioria alimentos gordurosos (frituras) e sem nutrientes (caso dos refrigerantes). Uma pesquisa feita pela nutricionista, no ano passado, em escolas particulares, apontou que cerca de 70% das crianças levavam de casa refrigerantes e salgadinhos tipo chips, e que o lanche mais vendido era a pipoca de microondas.
A nutricionista defende que, com conscientização, as próprias crianças vão fazer escolhas mais saudáveis. É muito comum, após uma palestra, os potinhos de salada de frutas, que antes eram relegados, sumirem da prateleira da cantina. Mas é preciso ter opções, não adianta falar e servir só macarrão na merenda, afirma. Boas opções de lanche incluem pão integral com queijo, iogurte, frutas e suco natural de frutas.
Este ano, aponta a nutricionista, o projeto deverá ser executado em escolas de Centenário do Sul (91 km ao norte de Londrina). Estamos esperando verba da Fundação Banco do Brasil, inclusive para treinar mais profissionais, relata. O custo estimado do projeto, segundo Eliane, é de
R$ 10,00 por criança a cada seis meses.
SERVIÇO:
- Mais informações sobre o projeto de educação alimentar através do telefone (43) 3329-1718


