Escola privada tem mehor resultado em humanas
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segunda-feira, 13 de dezembro de 1999
Por Gabriela Athias 
São Paulo, 13 (AE) - O resultado do Exame Nacional de Cursos, Provão, deste ano, mostra que as universidades e faculdades privadas têm melhor desempenho nos cursos de ciências humanas como Economia, Direito, Administração e Letras, do que nas ciências biológicas e exatas. As escolas privadas respondem, desde 1980, pela maioria das novas vagas no ensino superior.
Para se ter uma idéia do que isso representa, em 1998, enquanto as escolas privadas ofereceram 570.306 mil novas vagas, as federais ofertaram apenas 90.788 e as estaduais, 70.670. Na área de economia, dos 22 cursos que obtiveram A (o maior conceito), cinco são oferecidos por universidades e faculdades privadas. Em Direito, esse mesmo conceito foi conquistado por seis instituições particulares em um universo de 27 cursos. No curso de Letras, das 46 instituições que receberam conceito máximo, 19 são particulares. No de Administração, das 52 que obtiveram A, 24 são particulares.
No entanto, o desempenho dessas escolas nos cursos de ciências exatas, como as Engenharias, é muito ruim. Nenhuma faculdade ou universidade privada conseguiu conceito máximo em Engenharia Elétrica ou Química. Em Engenharia Mecânica, apenas uma universidade confessional (e portanto sem fins lucrativos) obteve A. Também em Medicina, Veterinária e Odontologia nenhuma das particulares conseguiu A.
O presidente da Associação Nacional de Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Rodolfo da Luz, lembra que o resultado do Provão é importante, mas não pode ser o único critério utilizado para julgar a qualidade de um curso. No entanto, ele atribui o bom desempenho das escolas privadas na área de humanas às necessidades de investimento que esses cursos requerem. Ou seja: é mais barato manter um curso de Administração com mensalidades do que um curso de Medicina ou de Engenharia Elétrica, por exemplo. Isso porque as boas faculdades de medicina do País, como a Universidade de Campinas (Unicamp) ou a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) têm apoio de hospitais universitários e laboratórios mantidos com verbas públicas. "Um curso como esse é impossível de se pagar com mensalidade", diz Luz. Isso também ocorre nas ciências exatas, em que o custo de manutenção dos laboratórios é muito alto. "Por isso é tão importante investir na ampliação das vagas das universidades públicas."
Para Antônio Freitas, diretor da Faculdade de Economia e Finanças (RJ), conceito A em Economia e Administração, boas faculdades têm pelo menos quatro diferenciais: infra-estrutura, qualificação dos docentes, projeto pedagógico compatível com as necessidades do País e sinergia.


