Escola Paulista vai participar do trabalho
A parte brasileira da pesquisa internacional sobre esquizofrenia contará com a participação da Escola Paulista de Medicina (EPM) da Universidade Federal de São Paulo e do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo, que desenvolvem projetos sobre a doença. Participarão do estudo cerca de 60 jovens brasileiros, que começarão a ser recrutados em fevereiro de 2001.
O presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria e chefe da disciplina de Psiquiatria da EPM, Miguel Roberto Jorge, e o representante do programa de esquizofrenia da USP Mário Louza, participaram nos últimos três dias, em Nova York, de um encontro para definir os critérios para a realização da pesquisa. Segundo Miguel Jorge, existe a possibilidade de o estudo ser realizado também no Rio de Janeiro.
O médico explicou que os participantes serão selecionados entre os que, potencialmente, têm mais chances de desenvolver a doença, ou seja, aqueles que têm parentes esquizofrênicos e apresentem sintomas que possam sugerir a ocorrência da doença - os chamados sintomas prodrômicos. Esses jovens serão escolhidos entre os participantes dos projetos já existentes e também por uma campanha na mídia, contou Miguel Jorge. As pessoas que nos procurarem espontaneamente passarão por uma triagem.
Professor titular do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), Wagner Gattaz afirmou ter reservas quanto à pesquisa. Para aqueles que recebem medicamento precocemente e nos quais se consegue evitar o aparecimento precoce da doença é ótimo, disse Gattaz. Mas e os demais, que jamais desenvolveriam a doença, e tiveram que tomar medicamento? O médico alertou ainda para o fato de que quem toma remédios é um doente em potencial. Isso tem um efeito na vida psíquica da pessoa, pode criar um estigma, ressaltou.
Gattaz considera esse o ponto crítico da pesquisa. Segundo ele, é preciso que haja uma ênfase especial, tanto do ponto de vista ético, quanto do médico, de como essa questão será abordada no estudo. De outra forma, é como colocar antidepressivo na caixa dágua, comparou. (A.E.)





