Escola norte-americana abre ano letivo com feira de armas
Washington, 16 (AE-ANSA) - Uma feira de armas de fogo e facas abriu o ano letivo em uma escola do estado norte-americano do Colorado, onde em abril dois estudantes assassinaram 12 colegas, um professor e se suicidaram em seguida na cidade de Denver.
"Não queríamos ofender a sensibilidade de ninguém", disseram os organizadores do "Gun Show" realizado domingo na lanchonete do instituto de Mancos, a 350 quilômetros de Columbine High School, palco do massacre de abril.
Milhões de jovens norte-americanos voltaram às aulas depois de um ano vivido perigosamente, quando foram registrados 24 homicídios nas escolas do país.
Os jornais e emissoras de televisão foram esperar as crianças nas portas das escolas onde ocorreram os crimes enquanto o debate sobre armas prossegue após um verão de novos massacres.
Neste clima, o Lions Club de Mancos Valley organizou exatamente em uma escola uma feira onde armas usadas podem ser compradas livremente. Na diretoria da escola que ofereceu suas instalações, ninguém considerou inoportunos o momento e a maneira em que ocorrem o "Gun Show".
Um dos professores, segundo versões, foi contra, mas no momento de abrir caminho para a iniciativa ninguém votou contra.
Frente aos microfones dos jornalistas, Bill Nittler, presidente do Lions Club, disse: "Somos solidários com as pessoas de Columbine, mas há muito somos amigos da escola."
Até um pai que levou à feira seus quatro filhos, com idades entre cinco e 11 anos, mostrou-se surpreso com a polêmica em torno do assunto. Quando perguntaram a ele o que ensinara a seus filhos sobre armas, respondeu: "Sabem que não devem tocá-las e basta."
Em contrapartida, quem quer que as pessoas saibam mais e os jovens sejam esclarecidos, é a secretária de Justiça Janet Reno. Ela não se contenta com a lei de fichamento de armas e de seus compradores, que no Congresso deu um passo à frente e dois atrás: "As pessoas que querem utilizar armas devem passar por uma prova teórica e prática."
Com o retorno dos jovens às aulas, aumenta também o debate sobre o comportamento das escolas ante à violência.
O Sindicato Americano das Liberdades Civis acusa o sistema escolar de ter "reações desproporcionais". Para sua advogada Ann Beeson, "em 1998 foram apenas 24 os homicídios e o número deles caiu 45% nos últimos cinco anos".
Hoje, pela primeira vez desde o massacre de abril, cerca de 2.000 estudantes voltaram às aulas em Columbine High School.





