Escola indigena tem dificuldades
Criada em 1986, a Escola Rural Indígena Avá-Guarani, em São Miguel do Iguaçu (45 quilômetros nordeste de Foz do Iguaçu) está com dificuldades para segurar os estudantes nas salas de aulas. A troca de modelos de ensino, de professores e as reuniões com os pais realizadas nos últimos anos não surtiram os efeitos desejados. O índice de aprovação não ultrapassa 30% do total de índios matriculados.
O problema acontece nas cinco turmas de 1ª (duas) a 4ª série. Das 111 crianças inscritas no começo do ano letivo deste ano, em torno de 60 têm frequência regular. Os índices de repetência, de evasão escolar, de faltas e transferências são os principais motivos do fracasso. A projeção é que no fim do ano, em média, 70% não serão aprovados.
A realidade tem preocupado os líderes da Reserva Ocoí que levou mais de 10 anos para conseguir terras definitivas após a formação do lago da usina Itaipu Binacional. Segundo eles, o ensino para as crianças é imprescindível para que consigam empregos no futuro.
Conforme o cacique Casemiro Pereira (Tupã Noéndué), o fracasso escolar é reflexo do choque da cultura branca com as tradições indígenas. Para ele, os índios que iniciam os estudos aos seis anos de idade estão com dificuldades de aprendizado porque os professores, brancos, não conseguem ganhar a simpatia dos alunos. Dos seis educadores, somente um é índio, ainda sim, sem o curso de magistério completo. A secretária municipal de Educação de São Miguel do Iguaçu, Suely Regina Regazzi Carneiro, não concorda com o cacique. Ela conta que Pereira era professor, porém foi demitido porque teria desviado materiais da unidade.
O problema na Escola Avá-Guarani pode ser retratado com números oficiais do município. No ano passado, dos 135 matriculados, somente 37 foram aprovados. Alguns índios ficam dois ou três anos na mesma série, disse a secretária Suely Carneiro. Nós não podemos empurrar os índios para a 5ª série.
O maior índice de reprovação ocorreu em uma das turmas da 1ª série, onde dos 19 índios matriculados, nenhum foi aprovado, 10 reprovaram, oito desistiram e um foi transferido. Além da aprovação de 37 alunos (27% do total), a estatística das cinco turmas revela a reprovação de 47 índios (35%), a desistência de outros 47 (35%) e a transferência de quatro estudantes (3%).





