Escola é acusada de impedir alunos inadimplentes de realizar provas
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sexta-feira, 03 de dezembro de 1999
Por Zuleide de Barros (especial para a AE) 
São Vicente, SP, 03 (AE) - Nove alunos do Colégio Nações Unidas, tradicional estabelecimento de ensino de São Vicente, com 55 anos de existência, foram impedidos de realizar provas de final de ano, porque estão com as mensalidades atrasadas, alguns deles até com oito meses de atraso. A proibição revoltou os estudantes, sendo que três deles, Thiago Farias, Elaine Guedes e Wagner Miranda, prestaram queixa na Delegacia de Polícia, por prática de crime contra o consumidor.
Eles lembraram que em recente pronunciamento, o presidente Fernando Henrique Cardoso advertiu que este tipo de atitude, de discriminação contra os inadimplentes, deve ser evitado.
A coordenadora pedagógica e psicológica da escola, Clélia Schepis de Araújo dos Santos, afirmou hoje que foi a única alternativa encontrada para que os pais dos estudantes negociassem os débitos com o estabelecimento. Ela disse que cartas e comunicados teriam sido encaminhados aos pais, sem qualquer tipo de retorno. "Muitos dos comunicados foram rasgados e jogados no pátio da escola", informou a representante da escola, lembrando que 34 dos 180 estudantes matriculados encontram-se com mensalidades atrasadas.
De acordo com a cordenadora, o estabelecimento está tendo dificuldades para honrar seus compromissos, principalmente a folha de pagamento dos 45 funcionários. No ano passado o calote teria sido de R$ 50 mil. Clélia destacou que muitos pais compareceram à diretoria a fim negociar o pagamento da dívida, com cheques pré-datados, etc. "Só foram impedidos de realizar exames os alunos com mensalidades atrasadas por mais de três meses", observou.
Os 180 alunos do Nações Unidas estão distribuídos nos cursos de ensino fundamental e supletivo. As mensalidades de 1ª à 4ª série (antigo primário) custam R$ 110,00; as de 5ª à 8ª série (antigo ginásio), R$ 135,00 e o curso supletivo de 1º grau, R$ 110,00. A representante do estabelecimento garante que as mensalidades encontram-se congeladas há quatro anos.


