Brasília - Entre as 20 escolas do país com melhores classificações no Enem 2006, apenas três são públicas, segundo os dados divulgados pelo Inep ontem. Elas são ligadas a universidades federais. Uma é do Paraná, a única do Estado entre as 20 melhores.
Na lista encabeçada pela escola particular Instituto Dom Barreto, em Teresina (PI), são representantes do ensino público apenas o Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Viçosa (UFV), na 7 colocação; o Colégio de Aplicação do CE da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em 12º lugar, e a Universidade Federal Tecnológica do Paraná (antigo Cefet-PR), de Curitiba, na 19 colocação.
O Ministério da Educação divulgou ontem o resultado de duas avaliações distintas da rede de ensino brasileira que indicam uma piora no desempenho dos alunos do ensino médio. Também foi anunciada uma diminuição do número de matrículas na rede educacional brasileira em 2006, em relação a 2005.
O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), aplicado em 2005, que testa conhecimentos de português e matemática em estudantes da 4 série e da 8 série do ensino fundamental e da 3 série do ensino médio, revela os mais baixos índices de rendimento entre os alunos do ensino médio desde sua primeira aplicação, em 1995.
Criado como mecanismo para mensurar o desempenho dos alunos ao longo do tempo, o Saeb é aplicado a cada dois anos. Em 2005, foram avaliados 194.822 alunos de 5.940 escolas públicas e particulares.
Ao se comparar os índices recém-divulgados aos de 2003, por exemplo, nota-se uma queda de rendimento de 9,1 pontos na média de português e 7,4 pontos na média de matemática, numa escala de 0 a 500 pontos. Em 2005, a média da 3 série do ensino médio foi de 257,6 em português e 271,3 em matemática.
Foram anunciados também os dados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2006, que igualmente indica queda de rendimento entre os estudantes do ensino médio comparado ao do ano anterior. O exame é aplicado anualmente, desde 1998, de forma voluntária. Pode ser feito por alunos que estão concluindo o ensino médio ou por aqueles que já concluíram e é dividido em prova objetiva e redação.
Em sua primeira edição, cerca de 115 mil alunos participaram. Na última edição, 2,78 milhões se submeteram ao exame. O grande aumento se deve ao fato de que as notas do exame são usadas como base para bolsas do Programa Universidade para Todos (Prouni).
A média das notas na prova objetiva caiu de 39,4, em 2005, para 36,9 em 2006. Já na redação, a média caiu de 55,96 para 52,08. A nota máxima em ambas as provas é 100.
Para Reynaldo Fernandes, presidente do Inep, o instituto de pesquisas do MEC responsável pela avaliação, uma das explicações para a piora do rendimento dos estudantes do ensino médio encontra-se no aumento do número de alunos no final da década de 90, já no governo Fernando Henrique Cardoso. ''A queda no rendimento é um efeito da expansão do ensino, que também aconteceu nos anos 60 nos Estados Unidos, com a democratização das high schools (escolas de ensino médio americanas).''
Fernandes diz que essa piora já pôde ser notada em 1999. De fato, naquele ano, os alunos da 4 série tiveram uma grande queda em relação à 1997. As notas caíram de 186,5 para 170,7 em português. Em matemática, elas caíram de 190,8 para 181,0.

mockup