Curitiba - Policiais do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) apreenderam anteontem 79 máquinas de videoloteria que estavam dentro de uma escola desativada e que funcionava clandestinamente como bingo. No momento da operação, por volta das 22 horas, apenas 15 clientes estavam no local. A maioria, pessoas idosas que revelaram em depoimento que o jogo era a única diversão que tinham. ''Os clientes e os funcionários foram ouvidos e liberados imediatamente. Eles contaram que o bingo é itinerante e que funcionava a cada três dias em local diferente para fugir da fiscalização policial'', informou ontem o delegado Messias da Rosa, do Cope.
O proprietário Alceu de Mello Júnior assumiu a responsabilidade pelo funcionamento da casa clandestina sozinho. Ele era proprietário do Bingo Las Vegas, em Curitiba, fechado depois de várias ''guerras judiciais'' com o governo do Paraná. Em depoimento, Mello Júnior disse que vive exclusivamente da exploração do jogo e criticou o governo do Paraná. ''Ele disse que o bingo não é ilegal e que é praticado livremente em todo o Brasil. Foi ouvido em termo circunstanciado e foi liberado'', informou. O empresário vai ser julgado no juizado especial da cidade por crime de contravenção por explorar jogos de azar e deverá ter a pena convertida em prestação de serviços à comunidade.
As máquinas foram retiradas ontem da escola através de um estacionamento que estava teoricamente fechado, mas que era usado para abrigar os carros dos clientes do bingo clandestino. Elas ficaram guardadas num depósito da Vila Hauer e serão periciadas pelo Instituto de Criminalística. ''Não temos mais o que fazer. O caso está encerrado. Tivemos a confissão, a prova material e as testemunhas. A maior perda foi a patrimonial para o próprio empresário'', comentou Messias da Rosa. Cada videoloteria custa em média R$ 2,5 mil. ''Temos que cumprir o que a lei determina. Tudo que depende da sorte é caracterizado como jogo de azar. Nunca um ser humano consegue vencer uma máquina'', analisou o delegado.
Por meio de uma denúncia anônima, ontem à tarde a Polícia Civil apreendeu mais cinco máquinas caça-níquel em uma mansão, na Avenida Manoel Ribas, em Curitiba. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp), o dono da casa havia alugado um anexo e um espaço para estacionamento para Elias El Daher, 50 anos, que se identificou como dono das máquinas. Os equipamentos não estavam em funcionamento, mas segundo a polícia, o local aparentemente iria funcionar como um minicassino. El Daher foi preso.

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