Florianópolis, 18 (AE) - Serão inauguradas amanhã (19), na reserva Xapecó, município de Ipuaçú (SC), as novas instalações da Escola Indígena Cacique Vanhkré, a única do País que oferece também ensino médio. Projetado de acordo com as sugestões dos índios caingangues, o colégio indígena tornou-se uma referência arquitetônica. Os três prédios têm formato circular. O principal, com 10 salas de aula, é redondo, lembrando uma taba, o ginásio de esportes é em forma de tatu e o anfiteatro, em forma de arena, lembra uma antiga casa indígena.
"Todos os prédios tem formato circular, que se aproxima da organização tradicional dos indígenas", diz Sandra Mara Cardoso, coordenadora do Núcleo de Educação Indígena da Secretaria Estadual de Educação de SC.
A nova construção segue as características da aldeia dos caingangues. Os integrantes da reserva discutiram o projeto e depois foi convidado um arquiteto para fazer o projeto. O anfiteatro, espécie de Centro Cultural, em forma de arena, imitado a antiga casa indígena, que era cavada em um barranco. O terreno foi rebaixado para a construção de arquibancadas.
A cobertura do prédio principal, onde ficam as salas de aula e administração, mantém as cores vermelho e preto que identificam os caingangues. Além do tijolo e do concreto, a palha também está entre os materiais utilizados. Tudo de acordo com o espírito da aldeia.
Bilingue - O projeto original da escola, que tem 20 professores e ensino bilíngue, prevê ainda a construção de seis casas que vão abrigar a culinária tradicional, plantas nativas e medicina indígena com manipulação de ervas. Haverá também uma trilha ecológica de 12 quilômetros com canoagem.
O novo prédio, onde vão estudar 445 alunos, tem uma área de 1.400 metros quadrados. Há mais 10 escolas isoladas dentro da área indígena, com 16 mil hectares e mais de quatro mil índios.
Mudança do nome - O cacique Orides Belino Correia da Silva disse que o antigo nome dado a escola, Vitorino Kondá, tem sinal de guerra. "Ele não defendeu o nosso povo e não pode estar no nosso contexto", disse. Belino ressalta que a comunidade escolheu o nome de Vanhkré porque ele "construiu a união do povo indígena e defendeu, até os últimos dias de sua vida este povo". De acordo com o cacique, Vitorino Kondá matava e torturava os índios. Vankré foi quem começou a combatê-lo. Para ele, a nova escola significa "o fortalecimento do povo indígena".
Educação - Santa Catarina assumiu o gerenciamento das escolas indígenas em 1991. Antes este trabalho era feito feito pela Fundação Nacional do Índio.Atualmente, o estado tem 25 escolas indígenas, com cerca de 1.200 alunos e 54 professores. A maioria oferece ensino bilingue - as aulas são ministradas em português e no idioma da aldeia (guarani, xokleng ou caingangue). Para construir o novo prédio da escola Cacique Vanhkré, o governo estadual investiu R$ 651.632,22.
Um dos principais objetivos da Escola Indígena é resgatar o idioma de origem, os costumes e a cultura. Para o estudioso das causas indígenas, antropólogo Silvio Coelho dos Santos, "a dívida social para com as minorias indígenas começa a ser resgatada com a implantação dessa escola". //FIM/RGR/REDAEGER/

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