"Sempre gostei de samba, isso está no sangue, vem dos ancestrais!" A afirmação é da agente educacional Maria Aparecida Pinho, de 59 anos. Para quem já foi porta-bandeira na juventude, é irresistível parar e apreciar o espetáculo de uma bateria de escola de samba. No sábado pela manhã ela foi ao Calçadão no centro de Londrina e acabou sendo surpreendida pelo projeto "O samba atravessa Londrina", que abriu a programação de Carnaval no município.
Maria elogia a iniciativa e lamenta que a festa de Momo no formato mais tradicional esteja se perdendo. "Fui a muitos bailes. O povo participava porque gostava da festa, ia toda a família. A gente se fantasiava com o que tinha. Depois virou comércio, tirou a espontaneidade e as pessoas têm medo da violência. O Carnaval está apagado", lamenta.
Com a participação do grupo Maracatu Pé Vermelho, grupo de pagode Bagunçaê, bateria da escola de samba Explode Coração e a Companhia Flap de Dança, o projeto mexeu com quem passava pelo Calçadão, como Maria Júlia, de 8 anos. Passeando com a avó, a dona de casa Ana Dalan, a menina não quis arredar pé de frente da bateria e até aproveitou para exibir um pouco o resultado das aulas de dança. "Ela gosta de sambar e aprendeu com a mãe, que é professora de dança", contou Ana.
Com patrocínio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic) e parceria da Liga das Escolas de Samba de Londrina (Limesal), o projeto "O samba atravessa Londrina" tem por objetivo fomentar novos grupos nos bairros, conforme explica Bene Macedo, diretor cultural de carnaval da Escola de Samba Explode Coração. "Queremos que os grêmios ressurjam e que nasçam novos. Temos hoje apenas três escolas de samba em Londrina e estamos preparados para orientar os novos grupos, já que não se pode mais formar uma Escola apenas com a reunião das pessoas, hoje é necessário toda uma documentação", destaca.
Nascido no samba, o armador Wellington de Souza Almeida, de 27 anos, se recorda de quando, ainda criança, desfilava na Avenida Leste-Oeste; de quando o desfile passou a ser realizado no Autódromo Ayrton Senna e como a festa foi se perdendo. "Participava muita gente, tinha muitas escolas em Londrina. Depois foi para um espaço fechado e as pessoas pararam de frequentar. O samba não pode parar. Temos que formar novos blocos, a prefeitura precisa viabilizar quadras para as Escolas de Samba e um espaço adequado. Samba é cultura e faz falta para a comunidade."
Os outros espetáculos serão na sexta-feira, na Praça da Juventude da Zona Sul, no sábado na quadra de esportes do Conjunto Mister Thomas (Zona Leste), no dia 16 na quadra de esportes do Jardim Santiago (Zona Oeste) e no dia 17 no centro Cultural Lupércio Luppi (Zona Norte), sempre às 17 horas.

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