Escola atrapalha iniciação à leitura
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sexta-feira, 18 de junho de 2004
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A maneira como o ''mundo do livro'' é apresentado nas escolas acaba afastando as crianças e adolescentes do interesse pela leitura. Esse é quase que um consenso entre os coordenadores e palestrantes do SABERES - 3º Congresso Paranaense de Leitura, organizado pelo curso de Letras da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), no campus de Curitiba. O encontro termina hoje.
A professora da PUC de São Paulo, Giselle Biguelmann, que apresentou a palestra ''O livro depois do livro'', defende uma visão mais ampla de como otimizar os recursos atuais televisão, internet etc. para atender o perfil do leitor. Para ela, não adianta querer afastar a criança e o adolescente desse universo. É melhor utilizá-los como ferramentas de literatura. ''O que está ultrapassado não é cobrar a leitura de um livro (indicando títulos). O errado é a maneira de se apresentar o mundo da leitura. Cabe aos professores indicar os caminhos e não apontar saídas'', avaliou.
Uma das organizadoras do congresso, professora Marta Morais da Costa, acredita que a preocupação com a leitura entre os brasileiros está muito melhor do que há dez anos. ''O nó está sendo a compreensão do que se lê. O leitor não está formado o suficiente para interpretar coisas complexas'', completou.
Marta Morais atribui a culpa pela ''inércia mental'' do brasileiro à mídia. ''O jornal simplifica o texto, a televisão baixa o nível. O que as pessoas querem são coisas já interpretadas'', criticou. A professora vai mais longe. ''O brasileiro é preguiçoso para tudo, não só para a leitura. Macunaíma já falava disso'', acrescentou, fazendo uma referência ao tema central do congresso: ''a leitura projetando o futuro''.
Ainda de acordo com Marta Morais, o Brasil está bem em relação à produção de livros e os apelos são muitos em termos de suportes de leitura: teatro, dança, música, informática. Para ela, o que é preciso é desfazer a idéia de que ''a leitura é uma coisa nirvânica'' e de que o livro se opõe a todas às mídias.
O jornalista e professor da Universidade de São Paulo (USP), Edvaldo Pereira Lima, que lançou ontem seu livro ''Páginas Ampliadas - o livro-reportagem como extensão do jornalismo e da literatura'', também culpou a mídia pelo desinteresse pela leitura. ''A imprensa passa por uma fase de grande crise. O desinteresse pela leitura se deve à queda da qualidade narrativa'', observou. Ele defende o jornalismo literário como forma de atrair o leitor. ''Usando os recursos narrativos da literatura, o texto fica mais envolvente, mais cativante, melhora a capacidade de pensamento, estimula o imaginário'', destacou.


