Londrina – Doença degenerativa crônica, autoimune e incurável, a esclerose múltipla pode ter os efeitos suavizados a partir de um diagnóstico precoce. Para que isso tenha mais chances de ocorrer, a Associação dos Portadores de Esclerose Múltipla Londrina e Região (Alpem) faz um trabalho de alerta, com a distribuição de panfletos com informações básicas sobre os possíveis sintomas. Ontem, portadores da doença se concentraram em uma tenda instalada no calçadão de Londrina (área central) para marcar a passagem do Dia Nacional da Conscientização da Esclerose Múltipla, celebrado na sexta-feira. Eles enfrentaram as dificuldades de locomoção, uma das consequências da doença, e se dispuseram a conversar com os visitantes, agraciados com balões, bombons e pirulitos.
De acordo com o folheto da Alpem, os principais sinais de que a pessoa pode ter esclerose é a fraqueza muscular nos braços e pernas, visão dupla ou perda de visão, distúrbios na fala e na audição, dormência de partes do corpo, desequilíbrio e falta de coordenação motora, cansaço exagerado, depressão, tremores e perda do controle nas funções da bexiga e do intestino.
De acordo com a bióloga, Célia Martins, presidente da associação há uma década, a presença de um dos sintomas já justificaria a ida a um neurologista. A ciência ainda não conhece uma forma de prevenção ao mal, que ao contrário do que se imagine, acomete mais adultos jovens. "Com o diagnóstico sendo confirmado no estágio inicial da doença, é possível controlar os efeitos com medicamentos e evitar sequelas graves", esclarece Célia.
A associação tem 200 membros e formam uma "comunidade muito unida", segundo a presidente. "Nós nos ajudamos muito, principalmente para transporte de pacientes", conta, frisando que os ônibus adaptados do transporte coletivo não são a alternativa ideal para este tipo de paciente. Agora, a entidade procura voluntários para a confecção de um site e recursos para a compra de um carro para transportar pacientes. "Temos muito apoio da Adefil para tratamentos extras como fisioterapia, massoterapia e fonoaudiologia. É algo essencial para os associados", agradeceu.
Um dos voluntários no trabalho de ontem era o neurologista Damacio Ramón Kaiman Maciel, responsável pelo Centro de Referência de Doenças Desmielizantes e Degenerativas do Ambulatório de Neurologia do Hospital das Clínicas de Londrina. Ele revelou que uma nova geração de medicamentos pode tornar a rotina dos pacientes – antes submetidos a injeções em dias alternados - menos dolorosa. Uma delas é o Natalizumab: 22 pacientes estão fazendo apenas uma sessão mensal com a medicação em hospital-dia, com resultados muito animadores. No tratamento anterior, 60% dos pacientes apresentaram redução do número de lesões. Com o Natalizumab, este índice saltou para 85%.

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