Carvalho é formado em ciências econômicas pela UEM e foi membro do Conselho de Administração da UEL entre 2010 e 2014
Carvalho é formado em ciências econômicas pela UEM e foi membro do Conselho de Administração da UEL entre 2010 e 2014 | Foto: Gina Mardones



O reitor eleito da UEL (Universidade Estadual de Londrina), Sérgio de Carvalho, assume o cargo no próximo dia 10 de junho e um dos primeiros desafios que deverá vencer será a escassez de recursos humanos e financeiros que, segundo ele, põe em risco a continuidade de diversas atividades. Regularizar as finanças da instituição e negociar com o governo do Estado a contratação de servidores encabeçam a lista de prioridades elaborada pela nova gestão.

Carvalho, do Departamento de Ciências Econômicas da universidade, encabeçou a chapa Supera UEL: Integrar para construir, ao lado do vice, Décio Sabbatini, do Departamento de Patologia, Análises Clínicas e Toxicológicas. A chapa foi eleita na última quarta-feira (11) com 5.321 votos, o que corresponde a 67,27% dos votos válidos. Carvalho e Sabbatini venceram a chapa UEL: O Futuro é Agora, formada por Ronaldo Baltar, candidato a reitor, e Zilda Andrade, como vice. A segunda colocada teve a preferência de 32,27% dos eleitores, totalizando 1.952 votos. Entre as 24.853 pessoas aptas a votar, 7.559 compareceram às urnas. O índice de abstenções ficou em 47%.

O resultado da eleição ainda deve ser referendado pelo Conselho Universitário, responsável pela elaboração da lista tríplice constando os nomes do candidato eleito, do segundo colocado e um terceiro nome. A lista deverá ser submetida à governadora Cida Borghetti para a nomeação.

Carvalho, 50, é formado em ciências econômicas pela UEM (Universidade Estadual de Maringá), e mudou-se para Londrina em 1999 para ser professor do Departamento de Economia na UEL. Na instituição também foi diretor de Orçamento e Finanças em 2003 e diretor do Cesa (Centro de Estudos Sociais Aplicados), além de membro do Conselho de Administração entre 2010 e 2014, cargos que, segundo ele, lhe conferiram experiência administrativa.

Membro da Câmara de Finanças do Conselho Universitário, cargo que lhe permite acesso à situação financeira da universidade, Carvalho sente-se confortável para apontar um dos maiores problemas atuais da UEL, que é a falta de servidores. "O nosso grande problema é que temos um apagão funcional dentro da instituição. Há um número enorme de servidores técnicos e administrativos sem reposição e corremos o risco de parar alguns setores. Não teremos reposição em aposentadorias e não temos pessoas para irem treinando em caso de aposentadoria para substituir", avaliou Carvalho. O reitor eleito reconhece que a negociação referente às contratações não é uma medida a curto prazo, mas considera "premente" que a se consiga negociar reposição para que a instituição não pare. "Isso é meio a longo prazo", disse.

FINANÇAS
A regularização das finanças é outra medida urgente. "Está praticamente insolvente. Não teremos recursos para algumas despesas no segundo semestre e algumas atividades poderão ser suspensas, como viagens para pesquisas ou deslocamento de estudantes para fazerem aula de campo. Imagina um aluno ou uma turma toda que precisa se deslocar e não temos gasolina, isso é muito ruim para a formação acadêmica."

Carvalho ressalta que a UEL, apesar de todas as dificuldades financeiras, é uma "grande universidade" em razão do capital humano que retém. "O corpo de pessoas na universidade faz toda a diferença na hora de solucionar os problemas, no entanto, os problemas estão se avolumando porque tivemos um descuido com relação ao repasse de recursos e medidas de política financeira que não são mais adequadas para esse século, como contingenciamentos, ingerências e intervenções, que dificultam a universidade fazer um bom uso do recurso", criticou.

O governo do Estado arca com o custeio da folha de pagamento, mas boa parte do dinheiro para a manutenção da universidade vem de recursos próprios. Gastos com combustível, material de expediente, material de laboratório para as aulas, consertos e prestação de serviços, por exemplo, são bancados pela UEL. "Uma solução a curto prazo seria o Estado retomar integralmente o financiamento do custeio da universidade porque aí os nossos recursos próprios poderiam servir de folga para revitalizarmos nosso patrimônio", defende Carvalho.

GRATUIDADE
A manutenção da gratuidade do ensino, afirmou o reitor eleito, é inquestionável e será mantida "de qualquer forma e de maneira absoluta". Por isso, a longo prazo, deverão ser estudadas maneiras de se aumentar a arrecadação da UEL. A prestação de serviços especializados e o patenteamento de produtos que poderiam render royalties à instituição são algumas das saídas apontadas por Carvalho que poderiam contribuir para fomentar os recursos da universidade no futuro.

Como já aconteceu em gestões anteriores, antes da posse deverá ser formada uma equipe de transição dentro da universidade, convocada pela reitoria "para evitar sobressaltos". "A partir de que tome pé da situação da universidade, as negociações serão iniciadas. Vamos procurar lideranças e agentes públicos", adiantou Carvalho.

A primeira ação como reitor da UEL, disse ele, deverá ser percorrer toda a instituição com o intuito de identificar os "agentes significativos, passando o diagnóstico e fazendo negociações para serem parceiros na resolução dos problemas". "E quando assumirmos, vamos trazer a sociedade civil para dentro da instituição. A gestão estratégica exige que se faça uma leitura do ambiente interno e corporativo e do ambiente externo", destacou. "O ambiente da universidade é bastante diverso do espaço de outras comunidades. Aqui a pluralidade existe por excelência e essa diversidade pode se tornar uma força motriz."

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