Você já imaginou um escargot ensinando sobre sexualidade? E um cão boxer mostrando a importância de se pentear os cabelos? Pois essas cenas fazem parte de dois projetos voltados para a educação de crianças e adolescentes utilizando animais nas escolas. Um deles é o Pet na Escola, implantado em Itaipava, perto de Petrópolis (RJ). Criado há dois anos pela zootécnica e médica veterinária Christianne Moll Vianna, o projeto abrange três escolas particulares, com turmas de educação infantil e ensino fundamental.
A coordenadora conta que tudo começou com pedidos de palestras sobre agressões caninas a crianças. ''O projeto nasceu basicamente para evitar acidentes e respeitar a outra espécie.'
Na região de Pirassununga (SP), a estrela é um animal pequeno, gosmento e vagaroso. O Projeto Dr. Escargot, premiado pela Fundação Getúlio Vargas promove visitas quinzenais a três escolas. Hoje, 500 crianças de seis a dez anos já sabem que, além de pequeno, gosmento e vagaroso, o escargot é muito útil ao homem. ''Vi que o escargot era um bom animal para se desenvolver um trabalho com crianças. Ele não oferece perigo e não transmite doenças'', observa Maria de Fátima Martins, professora doutora em genética e melhoramento animal da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP.
A cada visita, entre 50 e 60 escargots são levados à escola. Um dos temas abordados pela veterinária e geneticista é o preconceito. Se, por um lado, o animal provoca nojo, por outro, ela lembra as qualidades medicinais do visco. ''A secreção tem propriedades antibacterianas.'' O tema sexualidade também é trabalhado nas turmas de terceira e quarta séries, utilizando a reprodução do escargot como gancho. (M.P.)

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