Escândalo envolvendo ministra aumenta crise na Frepaso.
Buenos Aires, 13 (AE-ANSA) - Erros políticos motivados pela inexperiência e o pragmático giro à direita do governo de Fernando de la Rúa estão destruindo o sonho da Frente País Solidário (Frepaso) do vice-presidente Carlos "Chacho" Alvarez de se tornar a mais poderosa alternativa de esquerda de toda a história da Argentina.
A opinião é de analistas políticos de diversas tendências. Em dezembro, A Frepaso chegou ao poder em sociedade com a centrista União Cívica Radical (UCR) na coalizão conhecida como Aliança.
Para os analistas, na semana passada a Aliança "tomou um direto no queixo" quando a ministra do Desenvolvimento Social, Graciela Fernández Meijide, a número dois da Frepaso, viu-se envolvida em um escândalo de corrupção. O escândalo que deixou a ministra enfraquecida se somou à cada vez mais difícil situação de outro membro esquerdista no governo: o ministro do Trabalho Alberto Flamarique, encarregado de impor ao Parlamento uma reforma trabalhista que reduz o poder dos sindicatos para negociar contratos de trabalho e que a Frepaso combateu durante o governo do ex-presidente Carlos Menem.
O escândalo Meijide explodiu quando a imprensa revelou que Angel Tonietto, um dos interventores no PAMI, a obra social de três milhões de aposentados que maneja um orçamento de US$ 1 bilhão anual, tinha favorecido duas clínicas dirigidas por sua mulher, Juana Castagnola. Juana é irmã da ministra Meijide e Tonietto seu cunhado. Meijide apressou-se em dizer que tudo foi culpa da inexperiência de Tonietto. Ele renunciou pressionado pelo presidente De la Rúa.
Para os analistas, o escândalo não seria tão grande se nos últimos dez anos de existência da Frepaso sua principal bandeira não fosse justamente a crítica à corrupção do governo Menem. Um dirigente da Frepaso, citado pelo jornal La Nación, desabafou: "Sempre estivemos do outro lado do cenário. É a primeira vez que recebemos uma acusacão deste tipo e isso nos quebrou".
A Frepaso surgiu no começo dos anos 90 como uma aliança entre peronistas desiludidos do conservadorismo de Menem, como o próporio Alvarez, e militantes de associações de direitos humanos e de setores da esquerda católica e do socialismo marxista moderado. Versões da imprensa dão como certo que o destino de Meijide está selado apesar do apoio que recebeu de De la Rúa.
Fontes políticas ilustraram o incômodo do vice-presidente ao relatar que há alguns dias, quando o líder dos sindicatos peronistas rebeldes, o caminhoneiro Hugo Moyano, foi ao Senado pedir que a reforma trabalhista fosse rejeitada, Alvarez ficou fechado em seu escritório no Senado para não encontrar o antigo aliado com quem costumava compartilhar as ruas para protestar contra a política de Menem.
Para analistas, o dilema de Alvarez é o de muitos progressistas: esforçam-se por encontrar a maneira de continuar fiéis a seus ideais sem por isso se transformarem em meros sonhadores.





