Em julho, após muitas dificuldades, era concluído o leilão de privatização da Telebrás, vendida por US$ 22 bilhões. O episódio acabou deflagrando, em fins de outubro, o chamado escândalo dos grampos telefônicos.
Na verdade, foram duas denúncias quase simultâneas, surgidas logo após o segundo turno das eleições para governos em alguns Estados. Havia a divulgação de gravações de ligações telefônicas, envolvendo o ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, o presidente do BNDES, André Lara Rezende, e Ricardo Sérgio, diretor do Banco do Brasil. Até conversas com o presidente Fernando Henrique Cardoso foram apresentadas. Nos diálogos, o ministro fazia certas insinuações sobre truques para, como ele explicou, tentar conquistar mais candidatos ao leilão da privatização.
Além desta, também houve a denúncia sobre contas secretas mantidas pelo presidente, pelo governador de São Paulo, Mário Covas, pelo ministro da Saúde, José Serra, e pelo falecido ministro Sérgio Motta, nas Ilhas Cayman.
Esta última denúncia se esvaziou por falta de provas. Mas a primeira, rendeu. Mendonça de Barros teve de se explicar no Congresso e acabou não resistindo. Em novembro, ele, o presidente do BNDES e o diretor do Banco do Brasil, e até um irmão do ministro, que fazia parte do Governo, tiveram de deixar seus cargos.

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