Hoje os 24 desembargadores do Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio começam a tomar as decisões no processo de julgamento dos 54 réus acusados pelo Ministério Público Estadual (MP) de receber propinas do jogo do bicho, em 1994. As penas de prisão variam de um a oito anos. Os condenados deverão deixar o Forum, no centro do Rio, diretamente para um dos presídios do Departamento do Sistema Penitenciário (Desipe). A previsão é de que a votação termine na sexta-feira.
Dois advogados, um promotor e 47 policiais civis, a maioria delegados, respondem por crime de corrupção passiva (aceitação de suborno). Já os bicheiros Emil Pinheiro, Jose Escafura, o ‘‘Piruinha’’, Luiz Pacheco Drumond, o ‘‘Luizinho’’, e Carlos Teixeira Martins, ‘‘Carlinhos Maracan㒒, são acusados de crime de corrupção ativa (pagamento de suborno). Os réus tiveram os nomes relacionados nos livros-caixa da contravenção encontrados na fortaleza do bicheiro Castor de Andrade, na zona oeste do Rio. Castor morreu em 1996.
A votação dos desembargadores deverá começar pelo relator do processo, desembargador Raul Quental. No início da noite de ontem ele fez considerações gerais do processo citando a repressão à contravenção, conforme o artigo 301 do Código Penal, segundo o qual a autoridade policial deve reprimir esse tipo de jogo e qualquer membro deve ser preso em flagrante.
De acordo com os procedimentos previstos pelo Órgão Especial, a votação do relator do processo, desembargador Raul Quental, será seguida pela do revisor do processo, desembargador Pestana Aguiar, e depois o restante dos magistrados votará. O presidente do Órgão Especial, desembargador Thiago Ribas, só vota em caso de empate. Ontem à tarde as 30 preliminares - obstáculos que poderiam atrapalhar o processo - foram rejeitadas por unanimidade pelos desembargadores.

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