O desembargador Raul Quental, relator do processo que apura o pagamento de propinas de bicheiros a policiais civis e um promotor, pediu ontem, no Rio, a condenação de 26 dos 54 réus envolvidos no escândalo. Ele recomendou a punição para cinco bicheiros por crime de corrupção ativa (ato de subornar) e 21 delegados, entre eles o candidato a deputado estadual Hélio Vígio, do PFL, por crime de corrupção passiva (aceitação de suborno).
Hoje, o colégio de desembargadores do Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio irá apreciar o voto do relator. Caso julguem de acordo com o voto do relator, os desembargadores passarão a calcular a pena dos acusados e decidir se haverá a concessão de pagamento de fiança aos condenados. A pena prevista para os crimes de corrupção ativa e passiva é de um a oito anos de prisão.
O resultado do voto do relator causou euforia e protesto no Órgão Especial. Os 28 réus que tiveram o pedido de absolvição por Raul Quental não cansavam de abraçar seus advogados e clientes. ‘‘Foi feito Justiça’’, disse um dos delegados considerado inocente pelo relator. Já os advogados dos bicheiros consideraram o voto de condenação para os seus clientes uma injustiça.
‘‘O relator precisava da condenação dos bicheiros para condenar alguns policiais’’, afirmou o advogado Jair Leite Pereira, que defende o banqueiro do jogo do bicho José Caruzzo Escafura. ‘‘Os bicheiros não foram julgados, mas injustiçados’’, disse. Ele acrescentou que espera que os demais desembargadores façam justiça na hora de avaliar o voto do relator e de estipular a pena.

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