Buenos Aires, 21 (AE) - Um novo escândalo voltou a atingir a cúpula militar argentina: o general Jorge Miná, chefe do Serviço de Inteligência do Exército e integrante do Estado maior, foi acusado pela promotoria da província de Córdoba de espionar as investigações sobre desaparecidos durante a última Ditadura Militar (1976-83).
A espionagem dentro do país por parte das forças armadas está proibida por lei. Mas o escândalo foi maior pelo envolvimento de outros quatro militares e três civis no grampeamento de telefones de advogados, juízes e outras pessoas que estão investigando o desaparecimento de crianças durante o regime militar na província de Córdoba, lugar onde a repressão foi considerada como uma das mais ferozes na Argentina.
Calcula-se que essa província foi o segundo lugar onde mais desapareceram as 30 mil pessoas cujo paradeiro - 20 anos depois - ainda é desconhecido.
Um dos oficias envolvidos, o tenente-coronel Abel Guillamondegui, defendeu-se argumentando que "tudo o que é referente aos direitos humanos nos interessa porque é uma forma de atacar o Exército".
O processo a Miná atinge diretamente o diretor-geral do Estado-Maior do Exército, o general Ricardo Brinzoni, cotado para ser o sucessor do atual chefe do Estado-Maior, o general Martín Balza. A preocupação na cúpula militar adquiriu tal magnitude que o próprio general Balza foi à Córdoba explicar à Justiça que Miná nada tinha a ver com a espionagem, dando sua palavra como aval.
O setor militar não passava por uma sequência de abalos desde que no ano passado os principais líderes da ditadura militar foram colocados sob prisão domiciliar pela participação no sequestro de menores, filhos dos desaparecidos políticos, entre 1976 e 1983.
Além disso, a Justiça da Itália decidiu processar e convocar o ex-general Guillermo Suárez Mason para prestar depoimento sobre o desaparecimento de cidadãos italianos na Argentina durante a última ditadura. Além de Mason, outros seis militares também estão sendo processados pela Justiça italiana. Um dos casos investigados é o de Laura Carlotto, filha de Estela de Carlotto, presidente das Avós da Plaza de Mayo.
Apesar do pedido italiano, o governo argentino se nega a permitir que os ex-repressores sejam julgados no exterior, com o argumento de que os crimes cometidos na Argentina devem ser julgados dentro do país.

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