Nova York, 02 (AE) - No último ato do escândalo sexual revelado pela revista Penthouse, em 1996, numa reportagem intitulada "The Boys from Brazil" (Os Garotos do Brasil), o padre Howard Williams foi reabilitado pela Igreja Episcopal dos Estados Unidos. Inquérito interno da igreja concluiu que o religioso fora chantageado por dois garotos de programa brasileiros, Jairo Pererira e Wasticlínio Barros.
Na semana passada, ele reassumiu suas funções numa paróquia do Brooklyn. O padre Lloyd Andreis, outro envolvido, foi afastado em definitivo.
O escândalo foi deflagrado por denúncias de Pereira e Barros à imprensa sensacionalista americana. Eles disseram-se aliciados no Brasil por um grupo de padres homossexuais da ala liberal da Igreja Episcopal, com a participação inclusive do bispo de Long Island. Em seguida, anunciaram a intenção de processar a igreja, exigindo indenização de US$ 5 milhões, dizendo-se vítimas de abuso sexual. O prazo venceu e eles não ajuizaram nenhuma ação.
Mesmo assim, a Igreja Epsicopal foi abalada pelo escândalo, em especial porque a revista publicou fotos de orgias supostamente realizadas no altar da paróquia de São Gabriel, no bairro do Brooklyn.
Analisadas por peritos, verificou-se que as fotos dos brasileiros foram feitas noutro local, implicando apenas o padre Andreis.
Com o caso rolando na imprensa americana, a comunidade episcopal viu despertarem divergências internas no trabalho pastoral com homossexuais. Bispos da ala conservadora no Brasil, motivados pela reprodução do noticiário no Fantástico, exigiram um inquérito independente pela Igreja Anglicana da Inglaterra, da qual a Episcopal é o braço americano.
Por dois anos, a igreja desenvolveu essa investigação. No final, depurou seus quadros de religiosos tolerantes com o homossexualismo, uma das características dos quadros em Nova York.
Os investigadores religiosos concluíram que o padre Andreis fora vítima de uma cilada por parte dos brasileiros, ao mesmo tempo em que inocentaram os demais acusados, inclusive o padre Williams. Os brasileiros não levaram nada. Pereira voltou para o Brasil. Barros, ilegal no país, vive na clandestinidade. A revista Penthouse retratou-se, publicando um desmentido.
O investigador Edgar Byham, membro da congregação, admitiu que Barros fotografou uma cerimônia real de casamento gay entre Pereira e o padre Andreis, vestido de noiva, mas fora da paróquia São Gabriel. "A orientação sexual do padre Andreis nunca foi omitida, nem questionada, porque a igreja era tolerante".
Byham disse que "o casamento do padre Andreis com Pereira pode ter chocado alguns paroquianos, mas não foi legal, porque não há união gay nos EUA, nem ilegal, porque os dois são adultos e podiam fazer o que bem entendessem. O problema é que despertou a homofobia de vários setores conservadores, forçando a demissão do padre. Até então, ele vinha fazendo um excelente trabalho na paróquia".
Segundo Byham, "foi pura chantagem, porque os brasileiros sabiam que a igreja seria vulnerável a um escândalo desse tipo". Segundo o advogado dos brasileiros, foi Barros quem bolou a campanha difamatória pela imprensa, apostando que a igreja pagaria para evitar o escândalo.
O primeiro passo foi vender as fotos para a revista, por US$ 12 mil.
Em seguida, Barros e Pereira tentaram um acordo com a igreja, ameaçando revelar mais fotos, na Justiça e pela imprensa. Era blefe. Tudo o que tinham eram as fotos da revista.
A Igreja Episcopal, em vários pronunciamentos aos fiéis da paróquia do Brooklyn, vem tentando recuperar-se do estrago. Ela reconheceu que o padre Andreis era gay, mas que sua orientação sexual não era impedimento para o ministério. A demissão dele foi causada "pelo dano moral irreparável da publicação das fotos".

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