Escândalo causa renúncia de aliados de Fujimori16/Mar, 17:59 Lima, 16 (AE-AP) - Acusado de fraudar a lista de assinaturas que apresentou em anexo à inscrição para a eleição do dia 9 de abril, a Frente Independente Peru 2000 retirou-se nesta quinta-feira (16) da coalizão que apóia a candidatura do presidente peruano Alberto Fujimori à segunda reeleição. O secretário-geral da frente, Daniel Chuan, e o deputado governista Oscar Medelius - acusados diretamente de envolvimento na fraude - renunciaram às respectivas candidaturas a uma cadeira no Congresso. Outro suposto envolvido, o supervisor do Escritório Nacional de Processos Eleitorais, José Cavassa, foi afastado de suas funções. O escândalo, porém, não deve bloquear a pretensão de Fujimori de obter o terceiro mandato consecutivo. "Do meu ponto de vista a aliança continua, apesar da saída de um dos partidos que a compõem", disse um magistrado do Jurado Nacional de Eleições (JNE), Rómulo Muñoz Arce. "De todo modo, o plenário do JNE deverá analisar a questão em breve." Segundo fontes diplomáticas, a retirada do partido e dos dois legisladores foram medidas adotadas por recomendação de conselheiros políticos da própria administração Fujimori. Elas se deram horas depois de surgir em Lima duas testemunhas de uma operação para falsificar cerca de 1 milhão de assinaturas em cumprimento a uma formalidade exigida pela Justiça eleitoral. De acordo com essas testemunhas, Érika Martínez e Carlos Rodríguez, as listas foram fraudadas num imóvel de propriedade de Medelius. Logo depois do aparecimento das duas testemunhas, Fujimori deu declarações a jornalistas de que tinha "todo o interesse" em investigar o caso. Sem descartar a possibilidade de que as assinaturas fossem falsas, disse que "erros desse tipo ocorrem em todos os movimentos políticos". Hoje, assessores da presidência elogiaram a decisão de Chuan e Medelius de renunciar, afirmando que a atitude facilita a ação da Procuradoria-Geral, encarregada de investigar as denúncias. Para membros da oposição, porém, a interpretação é diferente: a manutenção das duas candidaturas poderia desgastar a imagem de Fujimori e intensificar as pressões sobre a pretensão do presidente. "Está claro que integrantes do governo obrigaram os dois aliados a renunciar para evitar que o escândalo atingisse Fujimori", disse o congressista opositor Arturo Salazar Larraín. Críticos de Fujimori consideram que tanto o JNE quanto a procuradoria estão submetidos ao Executivo e duvidam que se pronunciem contra o presidente, que fechou o Congresso e dissolveu todo o Judiciário ao desfechar um "autogolpe" em 1992. A lei peruana proíbe que a mesma pessoa ocupe a presidência por três mandatos consecutivos, mas, numa interpretação sob medida para atender aos interesses de Fujimori, o Supremo Tribunal deu parecer favorável à postulação do presidente por considerar que a primeira eleição, em 1990, ocorreu sob a vigência da Constituição anterior - substituída depois do golpe. Fujimori, de acordo com as últimas pesquisas vem mantendo a liderança das intenções de voto, mas as projeções indicam que não conseguirá eleger-se no 1º turno. Ele tem 39,6%, enquanto o segundo colocado, o centro-direitista Alejandro Toledo, soma 25 2%, segundo pesquisa do Instituto Datum.

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