ES vai afundar barcos para intensificar produção de pescado
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quinta-feira, 23 de setembro de 1999
Por Roberta Pennafort, especial para a AE 
Rio, 24 (AE) - A Secretaria de Meio Ambiente do Espírito Santo lançou um projeto para intensificar a produção de pescado no Estado - de 22 toneladas por dia, cerca de 15% do total do País, segundo dados de dois anos atrás - através do afundamento de embarcações. As estruturas servirão para quebrar o fluxo das fortes correntes marítimas, que dificultam a formação de ecossistemas, intensificando a vida no fundo do mar. Até agosto do próximo ano três navios serão submersos.
O governo do Estado já solicitou ao Ministério da Defesa a liberação de navios de grande porte e dragas em desuso, além de equipamentos do Exército, como caminhões sem recuperação. De acordo com especialistas um ano depois do afundamento já começa a aparecer um novo ecossistema. Sem os equipamentos, a força das correntes "varre" do solo marítimo as espécies mais frágeis, como crustáceos, moluscos, algas e pequenos invertebrados que estão na base da cadeia alimentar dos peixes.
"Os equipamentos servem de anteparo para as correntes, assim se cria uma zona de baixa energia, propícia ao nascimento do plâncton que habita as regiões mais ao fundo do mar", explicou Almir Bressan Júnior, secretário estadual de Meio Ambiente. O afundamento das embarcações é feito com cortes na estrutura dos cascos ou de explosivos.
O litoral do Espírito Santo tem um tipo de solo conhecido como "fundo plano", onde a fixação de algas e outras formas de vida é mais difícil do que em lugares com fundo acidentado. Os navios funcionam como viveiros artificais, ou "atratores marinhos", que além de aumentar a produção de peixes, tem como consequência direta um estímulo à biodiversidade. Com isso, a atividade turística é incrementada. Outra vantagem dos afundamentos é a prevenção à pesca predatória
pois os navios servem de anteparo para as redes.
A produção de peixes do Espírito Santo tem como destaques o badejo, o dourado e a garoupa, todos de alto valor comercial. Muito comum em zonas litorâneas dos Estados Unidos, o método está sendo avaliado no Centro de Estudos do Mar do estado do Paraná. Biológos e oceanógrafos da Universidade Federal do Espírito Santo irão trabalhar com a Secretaria no mapeamento do solo de toda a extensão do litoral para descobrir quais são os pontos mais favoráveis ao nascimento do plâncton. As regiões de Vitória, Guarapari e do Parque Estadual de Itaúnas deverão ser contempladas inicialmente.


