São Paulo, 6 (AE)- Sem um candidato que os represente de fato e que tenha chances reais de vencer a disputa pela prefeitura de São Paulo, empresários da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) estão dispostos a apoiar Luiza Erundina (PSB). Em 1988, quando o PT chegou ao poder da maior cidade brasileira, Erundina era vista como uma ameaça. Agora, ela é uma opção mais confiável, enquanto o radicalismo continua associado ao PT e a sua candidata dessa eleição, Marta Suplicy. "Quando ela foi eleita pela primeira vez dava medo", revela um dos diretores da Fiesp, sobre o histórico político de Erundina.
Ao deixar o PT, esse empresário acha que ela "diminuiu o radicalismo", o que permitiu aproximações com outros partidos. É o caso do PPS que desistiu de ter um candidato próprio, o deputado federal Emerson Kapaz, uma espécie de porta-voz dos interesses dos empresários no Congresso. Ele tem tudo para ser o vice de Erundina.
Apoio - Um malufista de longa data, que votou em Celso Pitta na última eleição, está disposto a trabalhar pela vitória de Erundina, "ajudando no que puder". Sua justificativa para uma mudança tão radical vem embebida de uma certa dose de culpa: "Eu votei no Pitta. O que eu fiz? Me sinto co-responsável pela situação intolerável de São Paulo." Até mesmo um porta-voz dos grandes empreiteiros de São Paulo, que apóia a candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB), já admite que, se a eleição ficar polarizada entre Erundina e Marta Suplicy (PT), ele não terá dúvidas. Da petista, ele tem "desconfiança". "A Erundina não tem marca irremovível", analisou, torcendo para que ela feche uma coligação com um partido mais ao centro. "Isso facilitaria."
Todos são unânimes em citar, como características positivas de Erundina, a seriedade, a experiência no cargo e a honradez. Isso, segundo um empresário do Pensamento Nacional das Bases Empresariais (PNBE), faz com que até mesmo os mais conservadores a vejam como uma opção séria, principalmente depois da avalanche de denúncias contra a administração do prefeito Celso Pitta.
O PSB diz que o apoio do empresariado é bem-vindo. Segundo o presidente do diretório paulistano, Pedro Dallari, um dos principais articuladores políticos de Erundina, a decisão dos empresários passa pela lógica do dinheiro. A ineficiência administrativa da prefeitura, de acordo com ele, não se encaixa no ambiente cada vez mais competitivo da economia globalizada. "Pagar caixinha" para fiscal é algo que não cabe na racionalidade do capital, segundo Dallari.
A viabilidade eleitoral de Erundina justificaria, de acordo com Dallari, o apoio dos empresários. Ele admite que, se Alckmin conseguir crescer nas pesquisas e chegar no patamar dos 15%, os votos da Fiesp debandariam a favor do tucano. "Eles ficariam muito mais confortáveis", disse.

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