Erros podem colocar aluno em risco
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terça-feira, 13 de maio de 1997
Agência Estado 
BRASÍLIA - Os pais de alunos das escolas públicas não devem se espantar se os filhos afirmarem que a mulher possui testículos, ou que o planalto é uma região mais ou menos plana. Os erros e a apresentação imprópria de conceitos faziam parte dos livros didáticos, agora banidos. Os coordenadores de avaliação de Língua Portuguesa, Matemática, Estudos Sociais e Ciências acreditam, contudo, que a tendência é de melhoria progressiva da qualidade dos títulos.
Nos 76 títulos excluídos do guia do Ministério da Educação dirigido ao professor, algumas deficiências no tratamento dos temas são flagrantes e outras podem até colocar em risco a saúde dos estudantes. Causaria espanto saber que uma criança da 4ª série foi convidada a comer bananas nanicas para medir depois o comprimento de suas fezes. A experiência foi proposta no livro Ciências - Eu e o Mundo - uma proposta construtivista.
Além do fato da atividade não ter o menor cabimento, do ponto de vista teórico e pedagógico, deve-se atentar para seus riscos sanitários, diz o documento de análise dos livros de Ciências, alertando para o risco de verminoses.
De acordo com o coordenador do grupo que avaliou a área, Nélio Bizzo, da Universidade de São Paulo (USP), alguns livros induzem à interpretação de anatomia humana fantasiosa. As glândulas supra-renais estariam situadas sobre o pâncreas e os testículos teriam localização intra-abdominal, segundo ilustrações do livro Ciências para Aprender. De acordo com Bizzo, 50% dos erros dos livros de Ciências têm relação com as ilustrações. A desatualização também é constante nos livros banidos, como foi verificado em Ciências no Mundo de Hoje, que recomenda a vacinação antivaríola, doença já erradicada.
Na área de Estudos Sociais, foi considerado absurdo o livro Convivendo afirmar que bairro é uma coisa permanente - como a família, a cidade e o País. Na avaliação dos especialistas, bairros não são coisas, e sim loteamentos ou unidades administrativas do município. Tampouco a família pode ser classificada como coisa.


