Mães normalmente se preocupam quando os filhos comem muita ''bobagem'' salgadinhos, doces, balas e refrigerantes. O mesmo não acontece quando há uma ingestão excessiva de leite e derivados. No entanto, os dois excessos são prejudiciais à saúde e fazem parte dos erros alimentares mais comuns na infância e adolescência. O gastroenteorologista pediátrico Aristides Schier Cruz, apresentou ontem, em Londrina, o resultado de duas pesquisas sobre os principais erros de alimentação de crianças e adolescentes. A palestra fez parte da programação do 9º Congresso Paranaense de Pediatria, que se encerra amanhã.
As desordens alimentares estão presentes, segundo o médico, em três categorias: na quantidade de alimentos ingeridos, na qualidade desses alimentos e nos horários das refeições. Entre os erros ''campeões'' estão a ingestão deficiente de frutas e verduras (55% das crianças), ingestão excessiva de leite e derivados (47%) e a presença constante e em excesso de guloseimas como doces, bolachas e salgadinhos nas refeições. Segundo o médico, cerca de 23% das crianças comem pouca proteína, carne e ovos, e 14% ingerem uma grande quantidade de sucos artificiais ou naturais. Das 100 crianças que participaram da pesquisa, em Curitiba, 90 apresentaram um ou mais tipos de erros alimentares.
Esses erros, além de ''subverterem'' os princípios da pirâmide alimentar, que prega ingestão de pouca gordura e doces, e uma boa quantidade de cereais e leguminosos, também podem causar problemas de saúde. Segundo Cruz, as consequências podem ser deficiências de vitaminas e minerais no organismo, obesidade, desnutrição, hipertensão arterial, diabetes e a chamada falsa anorexia, quando aos olhos da mãe o filho ingere pouco, mas na verdade ele ingere muito se levada em conta a quantidade de alimentos com baixo valor nutritivo.
Entre os adolescentes, o principal problema detectado foi a falta do café da manhã. Dos 530 pesquisados, com idade entre 10 e 18 anos, 26% não fazem a refeição rotineiramente. ''No resto do dia ele não consegue atingir a ingestão calórica necessária e não consegue compensar qualitativamente o que deixou de ingerir no café da manhã'', explicou.

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