Erros médicos causam 100.000 mortes por ano nos Estados Unidos
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terça-feira, 30 de novembro de 1999
Por Cristiano Del Riccio 
Washington, 30 (AE-ANSA) - Quase 100.000 pacientes morrem a cada ano nos hospitais norte-americanos em consequência de erros cometidos por equipes médicas. Esses erros, revelou estudo do Instituto de Medicina, causam mais vítimas nos Estados Unidos que o câncer de mama, acidentes rodoviários e aids.
"Esta surpreendente frequência de erros médicos - que causa mortes, danos permanentes e sofrimentos evitáveis - não é aceitável. Errar é humano. Mas esses erros podem ser evitados", afirmou o estudo promovido pela Academia Nacional de Ciências.
As causas são variadas e vão desde diagnósticos equivocados à utilização de medicamentos errados. Um erro frequente é o uso de remédios em doses excessivas. Muitos hospitais conservam as substâncias em forma não diluída e o doente pode receber uma dose massiva, até mortal, do medicamento.
O estudo relata que outro erro comum nos hospitais é a troca de remédios devido a nomes parecidos ou à dificuldade em ler a receita médica, tema que gerou recentemente um processo judicial. A empresa que produz o Celebrex (remédio para artrite) foi obrigada a advertir os médicos para não confundirem a substância com o Cerebryx (contra convulsões) ou o Celexa (contra a depressão).
"Os pacientes recebem o medicamento errado, ou em doses equivocadas, ou no momento errado, e às vezes é simplesmente dada ao paciente equivocado", revela o estudo. Etiquetas equivocadas com amostras para testes e a escassa comunicação entre médicos e enfermeiros são a origem de numerosos acidentes.
Os 19 especialistas que assinaram o informe propuseram ao Congresso a criação de um Centro Federal para a Segurança do Paciente nos moldes da FAA, organismo de aviação civil que protege a segurança dos passageiros em vôo.
Os hospitais e os médicos tendem a manter em segredo os erros cometidos por temer ações judicias de pacientes ou familiares.
O estudo propõe que hospitais e outras instituições sanitárias sejam obrigadas por lei a denunciar os erros cometidos a uma agência central de modo que os problemas possam ser advertidos a tempo e as soluções adequadas sejam estudadas.


