Erro no projeto pode ter afundado P-36
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quarta-feira, 20 de junho de 2001
Felipe Werneck Agência EstadoDo Rio de Janeiro 
O relatório final da comissão que investiga o acidente ocorrido em março na plataforma P-36, na Bacia de Campos, no RJ, vai alertar a Petrobras para um problema grave: as explosões ocorridas na plataforma, que provocaram a morte de onze operários e o naufrágio da P-36, foram provocadas por um erro de projeto que está presente em outras duas plataformas hoje em funcionamento, a P-18 e a P-19.
A Petrobras promete divulgar hoje o resultado oficial da investigação, após dois adiamentos - inicialmente, o resultado estava previsto para o dia 15, quando o acidente da P-36 completou três meses. A comissão vai apontar como principal causa do acidente a localização do tanque de drenagem de resíduos, que ficava no quarto andar de uma das colunas da plataforma, e fará uma recomendação para que a estatal proíba essa prática em novos projetos.
A Petrobras também será obrigada a rever o projeto da P-18 e da P-19, afirma o presidente do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense, Fernando Carvalho, que tem um representante na comissão, Antônio Carlos Rangel. Colocar o tanque de gás na coluna de sustentação é suicídio, diz Carvalho.
A P-36 sofreu uma série de adaptações para extrair petróleo a uma profundidade superior à inicial. Pelo projeto original, a plataforma iria operar numa lâmina dágua de até 500 metros. Com a modificação, tornou-se capaz de retirar petróleo a uma profundidade de 1.360 metros.
Quando sofreu as três explosões consecutivas que provocaram seu naufrágio, a P-36 estava operando havia apenas 11 meses.
O presidente da Petrobras, Henri Philippe Reichstul, disse ontem, em depoimento à CPI da Assembléia Legislativa do Estado que apura as causas do acidente, que a administração anterior à sua, de Joel Rennó, é a responsável pelos problemas de contrato com a Marítima, empresa que construiu a P-36. Reichstul afirmou que ao assumir a presidência da Petrobras pediu uma auditoria em todos os contratos e garantiu que a Petrobras deverá receber dentro de um mês o seguro de US$ 500 milhões da P-36, mas US$ 300 milhões vão para a Marítima.
Reichstul confirmou que o relatório final da comissão será divulgado hoje e voltou a afirmar que não acredita que a plataforma tenha afundado por sabotagem.


