Londres - O nascimento de gêmeas negras de uma mulher branca devido a um erro durante o processo de fertilização in vitro gerou um caso jurídico e um drama humano sem precedentes na história da Grã-Bretanha.
Segundo a imprensa britânica, o caso deverá ser levado em breve aos tribunais, já que a jovem mãe decidiu ficar com os bebês. Uma audiência na Alta Corte já estaria prevista para outubro, a fim de determinar quem é o pai e quem ficará com as gêmeas: a mulher que as pariu e começou a criá-las ou o pai biológico negro e sua mulher.
Frente à comoção nacional, a Justiça proibiu a imprensa de revelar a identidade dos casais envolvidos, dos bebês e o nome da clínica. O casal de brancos é identificado apenas como ''Senhor e Senhora A'', e os bebês como ''YA e ZA''. A decisão dos juízes será particularmente difícil, pois não há precedente legal no Reino Unido.
O pai biológico, ''Sr. B'', doou o esperma porque ele e a mulher desejavam ter um bebê através de inseminação artificial. Ele não deu autorização para que o sêmen fosse utilizado em benefício de outro casal. Poderia, portanto, reivindicar a paternidade jurídica e a guarda das crianças.
Especialistas indicam que a Justiça deverá levar em conta ''o interesse das crianças''. Os juízes também não terão muitos pontos de referência no exterior, já que se tem conhecimento de apenas dois casos semelhantes.
Nos Estados Unidos, uma mulher branca, Donna Fasano, deu à luz em 1998 o filho negro de outro casal, e a Justiça determinou que ela entregasse a criança aos pais biológicos.
O caso de Wilma Stuart se parece ainda mais com o do casal A. A holandesa, branca, deu à luz gêmeos negros em 1993. Apesar do erro de laboratório, recebeu autorização para ficar com as crianças.
Cerca de 30 mil casais britânicos recorrem anualmente à fertilização in vitro. Os especialistas afirmam que os erros são muito raros, uma vez que as clínicas adotaram medidas de controle draconianas, principalmente a partir do caso Fasano. Para Robert Winston, especialista em tratamentos de infertilidade, ''estatisticamente é mais provável que uma mãe deixe a maternidade com um bebê que não é o seu do que implantem nela um embrião errado''.

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