A causa provável do acidente entre os dois aviões Cessna que se chocaram no ar domingo em Lages (SC), matando 13 pessoas, foi um erro operacional cometido pelo piloto Pedro Sérgio Fernandes. Fernandes pilotava o bimotor Cessna 310 PT IJA, que fazia vôos panorâmicos com sete passageiros.
Conforme testemunhas, Fernandes deu um rasante, como se fosse pousar, mas novamente ganhou altura, batendo na lateral, por baixo, do monomotor Cessna 182 PT ISM, que estava decolando, pilotado por Paulo Roberto Macedo Kauling.
Roberto Ciuchetta, administrador do aeroporto Correia Pinto, nas proximidades do qual houve a colisão, disse ontem que o piloto que deu o rasante errou ao não ‘‘fazer um alongamento’’, dando ao outro avião tempo para concluir seu procedimento de decolagem. As condições meteorológicas eram boas.
O chefe da assessoria de comunicação social do 5º Comando Aéreo Regional, coronel Antônio Airton Lemos Cirino, disse que as aeronaves deviam estar funcionando adequadamente e que ‘‘provavelmente um avião não viu o outro’’, o que provocou o choque.
Três capitães-aviadores, Paulus Mendes Porto e Angelo Russo Neto, do Serac 5 (Serviço Regional de Aviação Civil), e Luiz Fernando Silva, do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes), foram destacados pelo Ministério da Aeronáutica para apurar as causas do acidente em um prazo máximo de 90 dias.
Os aviões estavam a menos de 200 metros de altura quando houve o choque, que ocorreu a cerca de dois quilômetros do aeroporto de Lages (252 km a oeste de Florianópolis). O bimotor fazia vôos panorâmicos pela cidade, e o monomotor levava dois pára-quedistas que iriam saltar. Lages comemorava os 55 anos de fundação do seu aeroclube.
Os destroços caíram em terrenos do bairro Tributo, que fica ao lado do aeroporto. A única vítima que estava em terra, Janete de Fátima Couto, morreu por traumatismo craniano. Ontem ainda não se sabia se ela foi atingida por parte do telhado de sua casa ou por um dos corpos, encontrado perto dela. O monomotor era de propriedade da empresa Celulose Catarinense, pertencente ao grupo Klabin.
O mecânico Odil Raimundo Cevei, 33, que morreu junto com a filha, Andriza, 5, e a sobrinha Andreila, 15, no choque entre dos dois aviões em Lages (SC), não estava com vontade de voar e chegou a oferecer seu lugar a amigos antes de embarcar. Osamir Cevei, 34, irmão do mecânico, disse ontem que Odil só foi no vôo panorâmico do Cessna 310 PT IJA porque os amigos que estavam com ele também não quiseram ir, e a sobrinha, que completaria 16 anos na próxima semana, estava decidida a voar.
Segundo Osamir, a mulher de Odil, Angelita, estava em choque com a morte do marido e da única filha do casal. Os enterros dos três membros da família Cevei ocorreram ontem no cemitério Parque da Saudade.

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