Mossoró, CE, 25 (AE) - Um erro de avaliação da equipe de segurança que preparou a viagem ao Rio Grande do Norte, na última sexta-feira, deixou o presidente Fernando Henrique Cardoso e sua comitiva expostos a manifestações de protestos. O Exército, que normalmente participa no apoio à segurança, não foi chamado para dar cobertura à Polícia Militar, em Mossoró. As Forças Armadas só estavam participando da segurança em Natal, onde o presidente apenas inaugurou o aeroporto e não teve qualquer contato com o povo.
A manifestação era mais do que previsível, já que a viagem ocorreu um dia depois de o governo anunciar o novo valor do salário mínimo de R$ 151,00, criticado pelo PT (um dos organizados do protesto) e até pelo PFL, aliado do governo. FHC, que hoje foi ao Rio comemorar aniversário da neta caçula Isabel, correu riscos em Mossoró.
No momento mais crítico do protesto, os manifestantes ficaram a poucos metros do palanque e chegaram a atirar garrafas e copos contra as autoridades, exigindo um esforço extra dos seguranças pessoais de FHC.
Durante a preparação da viagem, houve divergências sobre quem faria a segurança, sempre deixada a cargo da PM com o Exército na retaguarda. Como Mossoró não tem quartel do Exército
os militares teriam de ser deslocados da capital, como sempre acontece nessas situações. Mas o governo do Estado, que é do PMDB, convenceu a segurança da Presidência de que a PM não precisaria de reforço.
Estranhamente, por um erro de avaliação ou falta de informações sobre o tamanho do protesto que era organizado para Mossoró, a Presidência cedeu e não convocou o Exército. No fim, PMs de três distritos próximos foram acionados.
Alguns dos manifestantes estavam hospedados no hotel Thermas
o mesmo onde ficou a equipe precursora que preparou a viagem e chegou com três dias de antecedência no local.