A erradicação da cólera no Paraná pode demorar meses, de acordo com avaliação de representantes da Fundação Nacional de Saúde (FNS) no Estado. Segundo Hélio Sanfelice, da FNS de Curitiba, o hábito do pescador não deve mudar em um espaço muito curto. Ontem, havia pessoas pescando com tarrafas e varas nos rios infectados com cólera. Foi o caso do pescador Sérgio Martins. ‘‘Não tenho o que vender, por isso pego do rio algo para comer’’, disse o pescador.
Sanfelice considera que as ações iniciais do governo estão corretas, mas acredita que demore algumas semanas para que os moradores se conscientizem do perigo da doença. ‘‘Não se pode estabelecer quanto tempo vai durar para que o pescador ou o morador do mangue passe a jogar o lixo no lugar certo ou mude a forma de pescar’’, afirma o chefe da FNS em Paranaguá, Jurandir Girardi.
Girardi conta que quando o pescador recolhe a tarrafa do rio, utiliza a boca para segurar a rede. Um dos casos registrados pela Secretaria de Estado da Saúde ocorreu dessa maneira.
Para o chefe da FNS, a ação pública deve ser feita de duas maneiras: na educação e também na realização de melhorias urbanas. O saneamento é considerado pelos técnicos como a principal arma para evitar novas doenças. ‘‘Mas a realização de obras como estas demoram para ser feitas, por isso o governo precisa saturar o morador de informação’’, diz.
Ontem, técnicos da FNS, prefeitura e secretaria estadual estiveram nas escolas instruindo os professores e alunos sobre os sintomas da doença. Hélio Sanfelice diz que entre os jovens havia desinformação sobre o assunto, mesmo com a vinculação de notícias. A maior dúvida era a prevenção sobre os produtos alimentícios.(I.R.)

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