Liberada por alguns alimentos e bebidas, e também oriunda do suco gástrico, a acidez que circula pelo interior da boca pode levar à destruição do esmalte dos dentes com o tempo. Além de causar dor, a erosão dentária desencadeia mais sensibilidade à temperatura dos alimentos.
Pesquisa desenvolvida na Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB), da Universidade de São Paulo (USP), descobriu que géis de três substâncias são eficientes na prevenção do problema. Testes realizados com voluntários comprovaram a redução do problema em até 30%.
A professora Marília Buzalaf, do Departamento de Ciências Biológicos da FOB e coordenadora da pesquisa, explica que além de ter como causa a ingestão de alimentos ácidos, a erosão ocorre também em pacientes com refluxo, bulimia ou doenças que causam vômito constante, por causa do contato mais frequente do suco gástrico com o dente.
Um dos fatores que impulsionaram a pesquisa foi o conhecimento de enzimas que degradam a camada orgânica da dentina - parte exposta do dente - e aceleram a progressão das erosões. Segundo a pesquisadora, quando se evita a ação das enzimas (presentes naturalmente na saliva) por meio de inibidores aplicados sobre a dentina é possível preservar a camada orgânica do dente e assim regredir a velocidade do problema.
''Testamos o efeito de bochechos com chá verde. O tratamento funcionou, com uma redução da erosão em torno de 30%. Numa segunda etapa, pensamos em testar não o chá verde, e sim o seu princípio ativo e houve cerca de 40% de prevenção da erosão, ou seja, um pouco mais que a observada no trabalho anterior'', explica Marília.
Durante a pesquisa também foi produzido géis à base de inibidores de metaloproteinases (extrato de chá verde, sulfato ferroso ou clorexidina), cuja patente foi requerida recentemente pela Agência da USP de Inovação. ''Uma única aplicação dos géis foi capaz de prevenir completamente a erosão da dentina, evidenciando o grande potencial clínico dos produtos. Agora a próxima etapa é fazer um estudo clínico para definir os protocolos de utilização.''
Sensibilidade
O dentista Lutffala Salomão, de Londrina, viveu o problema da erosão dentária por muitos anos. No caso dele, a erosão se deu, principalmente, por causa de problemas articulares. ''Mordia errado e, à noite, ao dormir sentia que fazia bastante força, mas não chegava a ser um bruxismo. Apesar do problema ter acometido vários dentes, não sentia dor nem sensibilidade, o que acabou fazendo com que demorasse ainda mais para providenciar uma restauração'', diz.
Há três anos Salomão fez tratamento com facetas de resina. ''Minha maior preocupação era que a erosão atingisse os nervos dos dentes. Por isso é preciso que todos fiquem atentos porque nem sempre sentimos dor quando estamos com erosão. Muitas vezes só observando visualmente mesmo para notar o problema.''

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