Álvaro Orsi



Situação críticaNa casa de Claudenice Marinho Brito (foto de cima), no Conjunto Ouro Branco, a erosão começa a derrubar o muro; para sair de casa, dona Laura (foto do meio) é obrigada a pular o muro dos vizinhos porque o portão está na beira do buraco; o muro da casa de Vera Lúcia Ribelato (foto de baixo) caiu no início do ano No início do ano passado, o casal de aposentados Manoel Pereira, 60 anos, e Laura Moreira, 56 anos, juntaram todas as economias que tinham, compraram um terreno no Conjunto Ouro Branco - um bairro novo de Umuarama - e construíram uma casa de 60 metros quadrados que ainda não foi rebocada. Um ano e meio depois, a casa deles está na beira de um precipício de mais de três metros de altura.
A erosão, implacável, fez desaparecer a rua e a calçada, derrubou os postes de energia elétrica e ameaça agora o muro da casa. Para sair, dona Laura é obrigada a pular o muro dos vizinhos, porque o portão da casa dela está na beira do buraco.
Dona Lurdes é uma das centenas de moradores da periferia de Umuarama que estão com suas casas comprometidas pela erosão. O problema, que parecia sob controle, ressurgiu com força total nas últimas semanas devido às chuvas.
A erosão é um dos problemas mais graves da região - onde predomina o solo de arenito Caiuá - tanto nas cidades quanto no campo. As situações mais dramáticas acontecem em Umuarama devido ao crescimento acelerado e desorganizado da maior cidade no Extremo-Noroeste.
Falta recursos Para piorar, Estado e municípios não tem recursos para combater a erosão. Nos últimos anos, os investimentos nesta área se limitaram a atacar os focos mais graves, enquanto a falta de conservação põe a perder sistemas de controle caros construídos em outras épocas.
Há quase um ano, a fábrica de tubos da Superintendência do Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa) em Cruzeiro do Oeste (29 km a leste de Umuarama)
não fabrica manilhas de cimento e concreto. O controle da erosão exige a canalização das águas da chuva e a tubulação é a parte mais cara das obras.
Por causa da falta de tubos, até a construção de galerias no Parque das Jaboticabeiras - essencial para conter o assoreamento do Rio Piava, manancial que abastece Umuarama - está parada. O Rio Piava sofre um processo acelerado de assoreamento e poluição desde que começou a ocupação urbana na cabecereira da bacia do manancial.
O engenheiro chefe da Suderhsa na região, Amilcar Cavalcanti Cabral, diz que até agosto a fábrica deve retomar a produção. ‘‘Já fizemos licitação e esperamos apenas a liberação de verbas para comprar material’’, esclareceu.
O maior projeto de controle de erosão no Noreste foi desenvolvido entre os anos 80 e 87. Estados e mnicípios enterraram milhões de doláres para conter as voçorocas que se agravaram, nas cidades em crescimento e no campo, depois que as pastagens substituiram o café. Os focos mais graves foram eliminados, mas a erosão exige controle e prevenção permanente, o que não existe.
O problema já vinha se agravando desde o início dos anos 90, quando os investimentos no setor escassearam. Descapitalizados, os agricultores abandonaram as práticas de conservação de solo que já eram poucas.
Nas cidades, as administrações também não se preocuparam com a erosão ao criar novos bairros e agora não dispõe de verbas para resolver os problemas.

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