Ericsson adquire parte da Qualcomm
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quarta-feira, 24 de março de 1999
Por Isabel Dias de Aguiar 
São Paulo, 25 (AE) - A Ericsson e a Qualcomm anunciaram hoje (25), em Nova York, a conclusão de um acordo segundo o qual a Ericsson adquire toda a infra-estrutura terrestre dos negócios CDMA sem fio da Qualcomm, incluindo as unidades de recursos de pesquisa e desenvolvimento, em San Diego, Califórnia, e Boulder, no Colorado. As duas empresas comprometem-se a prestar serviços conjuntamente a clientes que utilizam tecnologia de telefonia móvel de padrão mundial CDMA.
A concretização desse negócio encerra uma discussão já de muitos anos em relação à tecnologia CDMA (Divisão de Código em Acesso Múltiplo), desenvolvida pela Qualcomm, que vinha sendo motivo de polêmica no que se refere à padronização da tecnologia para a sua evolução.
O debate vinha ocorrendo no âmbito da UIT, a organização mundial de telecomunicações, levando em conta que será preciso pôr fim a uma disputa tecnológica e oferecer serviços padronizados aos assinantes de telefonia móvel. Isso terá de ocorrer especialmente para as tecnologias de terceira geração, que oferecem novos serviços, especialmente de transmissão de dados.
A definição de um padrão tecnológico mundial levou a um impasse entre as duas empresas e as pendências que estavam para ser levadas aos tribunais, quando chegaram a consenso que resultou em acordos múltiplos. Nas negociações foi criado o instrumento do licenciamento cruzado de direitos de propriedade industrial para todas as tecnologias CDMA, incluindo W (de Wideband) CDMA, que a fórmula desenvolvida pela Ericsson para ser aplicada nos futuros equipamentos de telefonia móvel.
A Ericsson, empresa de origem sueca que faturou US$ 22 bilhões no ano passado nas operações mundiais, informa que não está abandonando a tecnologia TDMA, que comercializou em 140 países e defendeu como sendo mais vantajosa que a CDMA, desenvolvida pela Qualcomm.
O diretor da Ericsson Telecomunicações (brasileira), Renato Fantoni, explicou que a posição da Ericsson nos últimos anos foi patrocinar o TDMA, uma vez que o CDMA não apresentava nenhuma vantagem no que se refere a esse estágio de desenvolvimento. Isso, porém, disse Fantoni, não se aplica às futuras gerações de tecnologia celular, onde essa alternativa, o CDMA 2000, mostrou-se mais eficiente, por suportar alta velocidade de transmissão, o que significa maior eficiência e precisão.
A Qualcomm, empresa norte-americana que faturou US$ 3 bilhões, ao transferir para a Ericsson a sua infra-estrutura, passa a dedicar-se exclusivamente à produção de terminais móveis (telefones celulares) e à pesquisa e desenvolvimento.
A empresa sueca é líder no mercado de equipamentos de telecomunicações, enquanto a companhia americana destacou-se no desenvolvimento de produtos e serviços inovadores de comunicações digitais sem fio. Os principais negócios da Qualcomm, além dos telefones celulares, é a produção de conjuntos integrados de microplaquetas CDMA e software de sistemas, bem como licenciamento de tecnologia e sistemas de satélites, que serão mantidos pela empresa.
"Foi um negócio em que todos ganham, uma vez que atende às necessidades das duas empresas", afirmou o diretor de Relações Corporativas da Ericsson brasileira, Aderbal Pereira.


