Erasto Gaertner investe em biotecnologia
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de dezembro de 2004
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Para fugir da crise que afeta a maioria dos hospitais conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS), o Hospital Erasto Gaertner, de Curitiba, decidiu investir em biotecnologia. A instituição referência no tratamento do câncer acumula uma dívida de R$ 5 milhões e quer reverter esse déficit com a produção de catéteres, próteses ortopédicas e outros produtos que possam melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
O superintendente da Liga Paranaense de Combate ao Câncer (LPCC), mantenedora do hospital, Luiz Antonio Negrão Dias, explicou que a meta é quadruplicar o faturamento do Instituto de Bioengenharia Erasto Gaertner (Ibeg) hoje estimado em R$ 100 mil mensais , até junho do próximo ano, ampliando para 30 o rol de produtos fabricados. Para isso, o Ibeg conta com a parceria da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, que deve repassar ao hospital R$ 750 mil para a compra de novos equipamentos, e da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que pesquisará novas tecnologias.
O Erasto Gaertner, segundo Dias, vem tendo um aumento de 15% a 20% no número de pacientes. Em 2003, cerca de 200 mil pessoas passaram pelo hospital, demanda que, este ano, pulou para 217 mil, aproximadamente. Quase 90% dos pacientes, assegurou o superintendente, são atendidos pelo SUS, cujos repasses não cobrem as despesas do tratamento. Ele calcula que, por internação, são gastos, em média, R$ 1,3 mil e a verba do SUS é de R$ 900, o que representa um déficit mensal de cerca de R$ 50 mil. Portanto, destacou Dias, a saída é buscar fontes alternativas de receita, enquanto a tabela de alta complexidade não é reajustada pelo Ministério da Saúde.
Ainda de acordo com Dias, o Erasto Gaertner quer recuperar a arrecadação com doações da sociedade, que caiu de R$ 400 mil para R$ 300 mil mensais. Caso essas medidas não sejam suficientes para reverter a dívida do hospital até meados de 2005, o conselho de administração pode decidir pela redução do número de pacientes atendidos pelo SUS. Por lei, os hospitais conveniados são obrigados a manter 70% dos leitos a esses pacientes.
Outras informações sobre o trabalho do Hospital Erasto Gaertner e sobre como fazer doações estão no site www.lpcc.org.br.


