A professora aposentada Irene Renosto Belini Romeo nasceu em Itatinga (SP) e veio para Londrina em 1945, aos 20 anos de idade. "Já tinha parentes morando aqui; vim para o casamento de minha irmã, que depois se mudou para Cambará", relata, lembrando que, na época, a Catedral Metropolitana ainda era uma construção de madeira.
"Já tinha terminado a (2ª) guerra, mas não podíamos mudar para cá enquanto meu irmão não recebesse a baixa do Exército", relembra, afirmando que foi um período difícil, pois o querosene e o açúcar eram racionados.
O solo vermelho também causou estranheza. "Era muito barro, eu sofri muito; Londrina não tinha calçadas", lembra, contando que, em dias de chuva, os sapatos ficavam presos na lama. Ela explica que a iluminação da época era fornecida pela Usina Três Bocas e a água era extraída por meio de bombas de poços.
Irene detalha que as lojas e casas eram quase todas de madeira. Para construir as casas de alvenaria, os moradores contratavam o serviço de carroções. "Cada um deles era puxado por cinco cavalos e traziam a areia do Rio Tibagi", conta. Já os tijolos eram fabricados em Jataizinho, e as telhas eram feitas na Cerâmica Mortari, onde hoje fica o Hipermercado Condor. "O cimento era vendido na Rua Sergipe com a Rua Quintino Bocaiúva."
A professora aposentada revela que chegou a conviver com pessoas que hoje fazem parte da história londrinense, como os pioneiros Willie Davids e Arthur Thomas. E também integrava o grupo de damas de caridade que saía para arrecadar fundos para a construção do Hospital Antônio Prudente (Hospital do Câncer). "A Lucilla Ballalai fez tanta coisa para Londrina. Nós saíamos de duas em duas e vistávamos as empresas da época. O pessoal ajudava bastante, tanto que deu para fazer o hospital, né?", brinca, orgulhosa.
Sobre a vida social, ela conta que ia para a Avenida Paraná fazer "footing".
"De vez em quando a gente ia ao cinema ou ao circo, que era montado onde hoje é o Cine Teatro Ouro Verde", recorda.
Questionada se tinha algum arrependimento, Irene disse com firmeza que isso não aconteceu. "Fiz tudo o que queria fazer. Se não fiz, procurei fazer, o que já é um consolo", conclui. (V.O.)

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