Londrina - A história do jovem Paulo (nome fictício), que cumpre pena no Centro de Sócioeducação (Cense) II, na Zona Sul de Londrina, é outro exemplo das consequências do envolvimento com o mundo das drogas. Ele tem apenas 18 anos, mas já chegou a ser um dos líderes do tráfico num bairro de Ponta Grossa (Campos Gerais). ''Por dia tirava uns R$ 5 mil a R$ 7 mil'', conta ele.
A vida no crime, no entanto, começou quase que por acaso. O primeiro crime dele foi a participação num latrocínio em 2008. ''Uns garotos me chamaram para um roubo. Quando estava chegando na hora eles foram dando para trás. Me entregaram a arma e falaram que não ia dar nada. Na hora eu usei a arma e dei voz de assalto. O homem reagiu, eu joguei a arma para trás. Um outro adolescente atirou'', conta.
A vítima, de 59 anos, estava retirando do veículo caixas com mantimentos para doar para uma entidade assistencial. Paulo e seus amigos queriam roubar o carro dele. A morte chocou a população de Londrina e região.
Antes de tornar-se figura conhecida do meio policial, Paulo sofreu experiências traumáticas. O pai dele mergulhou no alcoolismo e abandonou a família. A mãe sofria com problemas psiquiátricos e espancava os cinco filhos, incluindo o caçula Paulo.
Depois de cumprir pena no regime fechado, Paulo foi encaminhado para uma casa de regime semi-aberto, em Ponta Grossa (Campos Gerais). Lá ele conheceu o mundo do tráfico. ''Ele me ensinou a picar droga, pegar 50 gramas e fazer buchinha de 10 gramas. (Pouco tempo depois) Quando ia ser transferido para Curitiba, ele me disse para fugir.''
Paulo seguiu o conselho e começou a vender droga nas ruas de Ponta Grossa. Segundo ele, à medida que o lucro cresceu, as responsabilidades também cresceram. ''Tinha que cobrar para poder pagar. E tem também aqueles que querem tomar o seu ponto, é aí que acontece o homicídio.''
Paulo foi apreendido no ano passado próximo a Iraty. Há um ano no Cense II, ele não sabe bem o que fará no futuro. ''É complicado. Sair e ter que trabalhar, sustentar a família. Esperar para ter dinheiro.'' A pena máxima que ele pode cumprir é de três anos. Sobre os homicídios que cometeu, resume: ''Era eu ou eles''.(D.B.)

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