Equipes de jornalistas deixam a Iugoslávia
Belgrado, 25 (AE-REUTERS) - As autoridades militares sérvias começaram nesta quinta-feira (25) a coibir o trabalho dos jornalistas estrangeiros que cobrem os ataques da Otan à Iugoslávia.
Elas detiveram por pouco tempo um correspondente do Washington Post pela manhã, bloquearam as transmissões via satélite, fecharam os estúdios de transmissão das emissoras de TV e ameaçaram um jornalista da CNN e sua equipe em Kosovo.
Os agentes sérvios também pressionaram um jornalista belga e detiveram num hotel de Belgrado por algumas horas os correspondentes do Boston Globe e do Baltimore Sun, além de quatro empregados da CNN.
A maioria dos jornalistas ocidentais se preparava hoje para abandonar a Sérvia depois que o ministro sérvio da Informação, Aleksandar Vucic, ordenou que fossem expulsos todos os profissionais dos países membros da Otan.
Já o ministro de Informações da Iugoslávia (formada pelas repúblicas da Sérvia e Montenegro), Milan Komnenic, se mostrou surpreso com a notícia e chegou a desmenti-la, em declaração por telefone à emissora de TV francesa LCI.
Komnenic disse que apenas o colaborador da emissora de TV a cabo americana CNN Chris Burke havia sido expulso do país, "por ter dito mentiras".
As contradições na cúpula do país aumentaram quando o vice-chefe de governo, Vuk Draskovic, convidou hoje os correspondentes estrangeiros a continuar seu trabalho. "Não são nossos inimigos. São bem-vindos", disse à imprensa, falando em nome das autoridades iugoslavas - e não na das sérvias.
Jornalistas expulsos de Pristina, capital de Kosovo, chegaram hoje à cidade macedônia de Blace e relataram que, após os bombardeios de quarta-feira, havia o risco de serem linchados. Milicianos golpearam as portas do hotel onde estavam hospedados e equipes de TV tiveram equipamentos apreendidos. Um grupo de 21 jornalistas foi expulso de Kosovo pela polícia da Sérvia.
Sem TV - A transmissão das emissoras de TV em nada lembrava a do ataque contra o Iraque, em dezembro. A televisão limitou-se a mostrar comentaristas que enviavam imagens da TV iugoslava, com legendas no alfabeto cirílico (o mesmo da Rússia). Os enviados da CNN, célebre por suas transmissões dos bombardeios contra Bagdá em 1991 e 1998, descreveram "as luzes e explosões" e mostraram telefotos.





