Equipe precisa perceber que há um mundo real abaixo deles, diz Gianetti
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domingo, 08 de agosto de 1999
Por Rita Tavares 
São Paulo, 09 (AE) - Apesar das críticas e pressões, o diretor da Fundação e Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex), Roberto Gianetti da Fonseca, não enxerga uma "preocupação séria" do governo para viabilizar uma política sustentada de crescimento. Isso estaria gerando um "impasse" entre a economia real e a equipe econômica. O empresário, que preside a Silex, disse que "eles (a equipe) precisam perceber que "existe um mundo real abaixo deles".
"O discurso (do governo) agrada os ouvidos, mas não satisfaz o estômago", disse Gianetti da Fonseca, ponderando que
de certa maneira, o Ministério da Fazenda e o Banco Central estariam hoje "alienados da realidade". O indicativo desse distanciamento, segundo ele, seriam indicadores econômicos, como
a taxa de desemprego, de inadimplência e a falta de crédito à produção brasileira.
O empresário concorda plenamente com as críticas ao governo que vem sendo feitas pelo ex-ministro Luís Carlos Mendonça de Barros. "É bom ver que tem gente com coragem para dizer o que pensa", afirmou, explicando que tem "concordância até por afinidade" com o ex-ministro, desde os tempos em que ele era o presidente do BNDES. Segundo Gianetti da Fonseca, as críticas são "sadias" e demonstram, afinal, que "toda unanimidade é burra".
De acordo com Gianetti da Fonseca, a mudança na política cambial foi fundamental, porque quebrou a "inércia" do governo. Mesmo assim, teria ocorrido por "pressão do mercado", não por uma mudança, de fato, nas posições do governo. Não foi, no entanto, suficiente para sustentar uma política de crescimento. Falta alterar a estrutura de crédito, com a redução dos juros, que aqueceriam a economia real.
Há um medo do governo, segundo Gianetti da Fonseca, de que a expansão da economia gere inflação, a partir do aumento da demanda e da renda. "O governo precisa ter a capacidade de avaliar a relação custo-benefício, para minimizar os custos", afirmou, lembrando que o ministro Pedro Malan, além do ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, foi contrário à desvalorização do real em 1995/96, temendo que a inflação explodisse no seu rastro.


