Brasília, 04 (AE) - O governo prepara-se para enfrentar um novo embate envolvendo o PFL baiano do presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), na votação do Orçamento federal de 2000. Ao mesmo tempo em que conta com a boa-vontade de ACM para começar amanhã (05) a votação da proposta orçamentária, a equipe econômica sabe, de antemão, que terá de vencer a resistência pefelista para aprovar os critérios de distribuição dos recursos destinados a procedimentos de saúde de alta e média complexidade custeados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O governo insiste em partilhar as verbas federais considerando a capacidade operacional de cada Estado, o que envolve equipamentos sofisticados e recursos humanos mais especializados. Mas as bancadas do Norte e Nordeste, onde reina o PFL, reagem, exigindo que a divisão dos recursos seja feita exclusivamente pelo critério populacional. Em jogo, R$ 1,05 bilhão que os nordestinos, em especial os baianos, querem a mais para a região.
Representante do Palácio do Planalto na Comissão Mista de Orçamento, o deputado Alberto Goldman (PSDB-SP) destaca que não há nenhuma intenção do governo de ser mais generoso na concessão de verbas para cuidar da saúde dos cidadãos do Sul e Sudeste, em detrimento dos nordestinos. "O que está em jogo não é o quanto se destina a cada cidadão, mas o quanto se paga por procedimento médico", argumenta o parlamentar. Segundo ele, a tese da equalização dos recursos do SUS só será cabível a partir do momento em que todas as regiões dispuserem de profissionais especializados e equipamentos sofisticados para procedimentos complexos, como cirurgias cardíacas. Até lá, diz, não podemos pagar as mesmas quantias para serviços diversos.
"A unidade da base é fundamental para superar a eventual obstrução dos partidos de oposição que querem, mais uma vez, utilizar o salário mínimo como bandeira", adverte Goldman. O governo vai trabalhar amanhã para evitar que os insatisfeitos da base unam-se aos adversários do Planalto, tornando real a ameaça de esvaziamento da comissão.
O líder governista queixa-se de que as mesmas oposições que ameaçam obstruir os trabalhos agora nada fizeram para aumentar os recursos destinados à Previdência Social, providência que poderia bancar o aumento do salário mínimo reclamado agora. "Eles trabalharam com o mesmo valor do mínimo sugerido pelo governo, que era de R$ 145 na época", insiste Goldman, ao salientar que nem os 151 reais fixados na medida provisória (MP) foram reclamados pelos adversários do governo na discussão do Orçamento de 2000.

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